domingo, 12 de dezembro de 2010

Parada para Reabastecimento (Congresso Jubrac Sul – Parte 2)

O pouso foi cancelado pelo mal tempo, um espesso nevoeiro encobria a cidade de Porto Alegre. Mudança de planos, tivemos que seguir para o aeroporto de Florianópolis (SC), onde a aeronave seria reabastecida e retornaríamos em segurança. Enquanto aguardava, me recordei de uma mensagem que Deus me revelou em 2003:

“No caminho beberá de um ribeiro, e então erguerá a cabeça.” (Salmo 110:7)

Havia um grande alvoroço entre o exército dos filisteus. O chão tremeu e houve um pânico terrível (1Sm 14:15). Jônatas, filho de Saul, e seu jovem escudeiro tinham derrotado sozinhos, um destacamento com cerca de vinte homens (1Sm 14:1-14). Um grande temor veio sobre o exército inimigo e eles se dispersavam desesperados correndo em todas as direções (1Sm 14:16). O rei Saul ao ver a confusão deu a ordem de ataque e todo exército de Israel partiu para a luta. Muitos dos filisteus caíram naquele dia, pois os israelitas os perseguiam de perto. Espadas, escudos, armaduras, homens correndo ao ritmo da batalha. O sol escaldante aquecia a paisagem e os soldados exaustos diminuíam o ritmo, com o estômago roncando de fome, pouco a pouco os homens iam parando. Saul havia imposto um juramento: “Maldito o homem que comer pão antes de anoitecer, para que me vingue de meus inimigos”. Pelo que todo o povo se absteve de provar pão (1Sm 14:24 RA). “Então, disse Jônatas: Meu pai turbou a terra; ora, vede como brilham os meus olhos por ter eu provado um pouco deste mel. Quanto mais se o povo, hoje, tivesse comido livremente do que encontrou do despojo de seus inimigos; porém desta vez não foi tão grande a derrota dos filisteus” (1Sm 14:30 RA).

Assim como Saul, muitas vezes agimos imprudentemente nos momentos de lutas. Paramos de comer e deixamos de dormir, não cuidamos de nossa saúde física e espiritual, muitos deixam de frequentar os cultos, deixam de orar e se afastam dos amigos. Jesus disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4). Ou seja, precisamos do alimento físico e do espiritual. Nos momentos de lutas devemos nos cuidar, por mais que pareça difícil. Precisamos de alimentação, descanso, lazer, oração e tempo com a palavra. Só assim teremos força para derrotar o inimigo.

Quem já viajou de avião sabe dos avisos que são passados antes da decolagem, as aeromoças demonstram todo procedimento de emergência, entre eles há um muito importante com relação as mascaras de oxigênio, primeiro se deve colocar a sua própria e só então ajudar quem estiver precisando, se não a pessoa perde os sentidos e não pode fazer nada por si própria e pelos outros. Assim também, devemos estar bem, cuidar de nós mesmos para nos momentos difíceis termos força e ajudar a quem precisa de nosso auxilio.

Jônatas, o herói nesta história (1Sm 14), encontrou mel num bosque, ele não sabia do juramento de seu pai e comeu do mel, a bíblia nos diz que seus olhos brilharam, suas forças se renovaram (1Sm 14:25-27), estava pronto para retornar a batalha e vencer o inimigo. Em João 4:31-34 Jesus nos fala de uma comida especial, fazer a vontade do Pai Celeste. Assim como o pão traz vigor ao corpo, assim também Jesus, o “pão de céu” (Jô 6:31-35), traz vigor ao espírito. Não podemos nos abster deste alimento. Também em João 4, Jesus nos fala a respeito da “água viva”, esta água jorra para a vida eterna (Jo 6:14) e, é a esta água que faz menção o texto que lemos a principio (Sm 110:7). Precisamos parar neste ribeiro e beber desta água, só então teremos forças para erguer a cabeça e prosseguir.

Cuide de sua saúde, faça uma alimentação saudável, tire férias, tire um tempo para o lazer, comunhão, praticar esporte, ore, leia a bíblia e aproveite os cultos (Hb 10:25). Faça uma “Parada para Reabastecimento”.

Finalmente pousamos em Porto Alegre (RS), imagine o poder das palavras ‘porto’ e ‘alegre’ para quem teve contratempos na viagem. A fala quase cantada dos gaúchos é capaz de encantar os ouvidos de quem não está acostumado. Com um ar europeu e gente bonita, podemos encontrar ótimos lugares para descansar, mas não era meu caso, precisava chegar rápido da rodoviária e seguir viagem para Pelotas, cerca de 300 Km de distância. Congresso de Jovens da Jubrac Sul, lembra? – É onde nos encontraremos na próxima postagem...

Ev. Elias Codinhoto

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DEIXE-ME FAZER?! (Congresso Jubrac Sul – Parte 1)

Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe os outros: Também nós vamos contigo. Saíram, e entraram no barco, e, naquela noite, nada apanharam. (João 21:3)

O avião se movimenta vagarosamente na pista enquanto ouvimos o piloto anunciar: “atenção tripulação, iniciar procedimentos de decolagem”. Gotas de orvalho percorrem minha janela no momento em que as turbinas nos impulsionam na pista. A névoa da manhã passa rapidamente sobre as asas desenhando o trajeto do vento. Em pouco tempo, as toneladas de aço se desprendem do chão como se fosse algodão ao vento. A sombra da própria aeronave percorre a asa direita ao se inclinar para ajuste de curso. Os raios avermelhados do alvorecer são refletidos sobre a cidade de São Paulo (SP), os prédios se destacam como as pontas aguçadas de um coral. Rio Grande do Sul, ai vamos nós!

Houve um tempo em que desisti de pregar, foi após assistir a um sermão meu em VHS. Era como uma comida insossa, sem vida, sem “graça”. Fiquei tão decepcionado com o que vi, que não só decidi parar de pregar, eu abandonei o ministério. Eu pensava: “acho que me enganei, Deus nunca deve ter me chamado para pregar”. Assim como Pedro, eu voltei ao meu antigo trabalho, operador de pregão na BM&F. Deus, porém, começou a falar comigo todos os dias. Primeiro Ele perguntou: “você desistiu?”. Eu respondi: “Sim! Desisti, não tenho vocação para isso”. Então o Senhor sugeriu: “posso fazer agora? Agora que desistiu, Eu posso levá-lo a pregar?”. Achei que era coisa da minha cabeça, estava mesmo decidido a parar, só queria me dedicar profissionalmente. Comecei a faculdade de administração visando uma posição de gerência, porém, o Senhor falava comigo todos os dias dizendo: “você vai pregar, vai escrever e se tornar pastor”. No começo não dava atenção, mas Deus se tornou insistente, usava até mesmo pessoas descrentes para falar comigo, um processo que durou cerca de dois anos, então eu cedi (até que enfim!). Compartilhei o que Deus vinha me falando com alguém muito próximo, que me questionou: “você tem certeza, já te vi pregando, até que para um estudo bíblico se sairia bem, mas pregar? Sei não!” – eu concordei, sabia que realmente não tinha jeito para a “coisa”, mas eu realmente tinha convicção que era Deus falando comigo, e Ele persistia, mesmo quando eu já tinha entendido. Então perguntei: “por que o Senhor está me falando tanto à mesma coisa?” – o Espírito Santo me respondeu imediatamente em meu coração, com uma voz suave Ele me disse: “é porque você vai atravessar uma luta muito grande, e se isso não estiver bem enraizado em seu coração, você não vai suportar” (esse detalhe fica para uma outra postagem). Logo depois compreendi que perderia o emprego (o que não demorou muito), comecei a me envolver com o projeto de grupos pequenos em minha igreja, e, em uma tarde o pastor me convidou a pregar. Eu pensei: “é agora, vou ter a prova se realmente Deus mudou alguma coisa”. Não fiz nada diferente do que fazia antes, preparei o esboço e lá fui eu, tão crente quanto Tomé.

Deixa-me fazer? – me sussurrou o Espírito Santo. E eu o convidei a estar comigo, a assumir a direção. Foi uma experiência maravilhosa! As pessoas vinham me dizer após o culto que enquanto eu pregava, elas não viam a hora de acabar, mas desta vez, não por estarem enfadadas, e sim por estarem ansiosas a por em prática o que estavam ouvindo, me disseram que não aguentavam esperar, pois a revelação as conduziam a tomar atitudes, se sentiram constrangidas a uma mudança de vida.

E você? - Já desistiu? Já fracassou? Já percebeu que não consegue sozinho? – Deus também te diz: “Deixa-me fazer?!”. Permita que o Espírito Santo venha fluir através de sua vida, não use suas forças, nem sua sabedoria, nem mesmo seus recursos, deixa apenas Deus ser Deus em sua vida! Entregue a Ele a direção, deixe-o assumir o comando, ser o piloto. Ah! Falando em piloto...

A viagem que descrevi acima foi com destino a Pelotas (RS), Congresso de Jovens da JUBRAC[1] Sul, fui convidado como preletor. Das cinco mensagens programadas, eu ministrei quatro (cerca de uma hora cada). Também fui chamado a pregar no culto de domingo à noite, e falando em “chamado”, qual é o seu? – você sabe que tem ao menos um dom, não sabe?! - Talvez mais que um, mas com certeza, pelo menos um dom lhe foi dado após sua conversão, e precisamos dele, a igreja precisa, pois os dons são dados “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,” (Efésios 4:12)

O tema do congresso da Jubrac Sul foi: “Dá-me almas”, com o texto base de Mateus 4:19 – “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”

Esse foi o chamado de Simão, o pescador que se tornou Pedro, o apostolo do Senhor. Por um momento ele voltou à antiga profissão, mas o Senhor Jesus foi ao seu encontro, assim como foi ao meu, e agora é sua vez. Sim! É com você mesmo que Cristo está falando! Seu lugar ficou vazio. Talvez, como Pedro e os discípulos naquela noite, “o mar não esteja para peixe”, sua pescaria pode estar frustrada, “Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia; todavia, os discípulos não reconheceram que era ele.” (v. 4). Pode ser que você esteja tão vazio que não tenha nada para dar, nada que alimente; os discípulos também estavam assim (v. 5), mas veja o verso seguinte: “Então, lhes disse: Lançai a rede à direita do barco e achareis. Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes.” (v. 6). Ouça a voz do Mestre, volte depressa, pródigo! (Lucas 15). Jesus te espera na praia! Ele tem uma comida especial para te dar (v. 12), que o alimentará realmente. “Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.” (João 4:34). Como declarou o profeta Jeremias, não podemos retroceder, por mais dura que seja a prova, pois quando pensamos em parar, o fogo do Espírito queima em nossos corações (Jeremias 20:9), o nos convida dizendo: “Deixe-me fazer?!”.

“Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério.” (1 Timóteo 4:14)

Ev. Elias Codinhoto



[1] Juventude Unida do Brasil para Cristo


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

CIRENEU

“E, como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus.” (Lc 23:26)

Muitos afirmam que Ele caiu. Até podemos assistir a cena em filmes que contam sua História. Na maioria delas Jesus cai em câmera-lenta com o peso da cruz, esta, sempre ilustrada de madeira maciça e robusta, talvez para expressar quão pesados sejam os pecados da humanidade. Até em letras de canções ouvimos dizer: “subiu tropesando e caiu com o peso da cruz...”. Você pode até se espantar em saber, mas nenhum dos Evangelhos diz que Ele caiu ao carregar a cruz. Ao que parece, Ele nem ao menos tropeçou no percurso até ao Golgota, o Lugar da Caveira (Mt 27:33). Porém, é justamente em uma de suas “quedas”, que geralmente colocam à figura de um cireneu, o qual ajuda Cristo a se levantar, e divide com Ele o peso da cruz. Mas é interessante notar que os escritores sagrados (com exceção do apostolo João, que parece não ter notado a tênue figura), dão a entender que Simão o ajuda com a cruz desde a saída para o Golgota (João, porém, parecia só enxergar o Salvador, sua cruz e sua missão: “Salvar o Mundo”).

Mas ele realmente existiu? – Sim! Sabemos até seu nome: “... Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo...” (Mc 15:21). Seus filhos são mencionados, o que é estranho, pois o comum era citar o nome do pai para identificar alguém na cultura daquela época. Era como se ele deixasse aos filhos a herança daquela cruel experiência.

Todas as vezes que Simão erguia a cabeça, não podia deixar de fixar os olhos na execrável figura a sua frente. As costas feridas sangravam, sobre sua cabeça uma coroa, ainda que, de espinhos, testificava que Ele é Rei. Seu semblante desfigurado refletia a perfeita expressão do texto de Isaías 53:

“Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes e pela transgressão do meu povo foi ele atingido.” (Is 53:2-8)

Imaginem um prisioneiro no “Corredor da Morte”. Digamos que na véspera de sua execução ela pegue uma pneumonia e seja levado ao hospital. Agora se coloque no lugar de um médico, parado ao lado daquele corpo febril, administrando os antibióticos, na esperança que façam efeito e seu paciente melhore. Mas que de vale seu trabalho? Pois assim que ele melhore, caminhará para morte. Poderia ser esse o sentimento do cireneu ao “ajudar” Jesus Cristo? – O momentâneo alívio ao dividir o fardo da cruz, não o conduzia Jesus a morte? A cada passo de Simão, a força empenhada, o suor, talvez lágrimas, fazia dele um acólito companheiro que conduz a arma para uma execução. Será que valeu a pena ajudar?!

O filho insistia com a mãe: “me deixe ir ver ele mamãe, é meu melhor amigo!”. Mas a mãe retrucava: “para que quer ir lá? Ele está muito mal, vai morrer, você ficará impressionado!”. Porém de tanto insistir a mãe permite. Algum tempo depois o filho volta enxugando as lágrimas e dizendo: “ele morreu mesmo, mamãe”. Então ela histérica grita: “não te disse para não ir?! – E então, valeu a pena?” – ao que o filho responde: “valeu sim mamãe, quando cheguei à UTI, ainda pude ouvi-lo dizer: ‘eu tinha certeza que você viria’”. (autor desconhecido).

Fico pensando: será que Simão conseguiu ficar lá assistindo a morte de Jesus? – Eu acredito que não. Creio que ele, assim que colocou a cruz ao chão e foi liberado, correu para casa e foi se lavar, esfregando e enxaguando-se por varias vezes. Como se isso pudesse remover marcas de sua mente. Mas seria impossível esquecer!

Jesus levou muito mais que uma cruz, como disse o apostolo Paulo: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1:13-14). “havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2:14). Como profetizou Isaias: “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si;” e “...o castigo que nos traz a paz estava sobre ele”.

Vale a pena ajudar? – Pessoas caminham para morte todos os dias. Pobres, drogadas, feridas, desprezadas, violentadas, abandonadas, insanas; ricas, caretas, saudáveis, acolhidas, protegidas, acompanhadas, intelectuais. Todas seguindo para o mesmo fim, a morte. Vale a pena ajudar? – o Cireneu diz que sim... “E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25:40).

Manhã de domingo. Algumas mulheres foram até ao sepulcro, elas pretendiam preparar o corpo de Cristo, pois no sepultamento apreçado, pouco tinha sido feito por José de Arimatéia (Mt 27:57-60), o corpo porém, não estava lá. Quem o teria levado? Perguntavam-se as mulheres. Então um anjo do Senhor lhes responde: “Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia. Ide, pois, depressa e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo!” (Mt 28:5-7). E quanto ao Cireneu? - Creio o avisaram! Não permitiriam que Simão convivesse com a agonia daquela obscura sexta-feira. Pois na gloriosa manhã de domingo, Jesus ressuscita dentre os mortos. Os discípulos souberam, as Marias sabiam, Tomé foi avisado, o apostolo Paulo afirma que Ele foi visto uma vez por mais de quinhentos irmãos (1Co 15:6). Alguém o avisou. Eu realmente creio que a notícia de que Cristo vive chegou até ele. Sim! Certamente alguém o avisou. Não sei bem como se faziam na língua e cultura dos cireneus, mas imagino que ele deve ter soltado algum tipo de “uhuuuu!” ou “yes!” em comemoração. Posso até vê-lo saltando de alegria...

Eu pergunto a você leitor: vale a pena ajudar aqueles que caminham para morte? Talvez você questione: “mas não é como ajudar a Cristo?!”. Jesus diz o contrario: “...Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25:40). Ele capta o amor através do “uns aos outros”. Ajudaríamos a Cristo? – A resposta está relacionada na forma como tratamos uns aos outros.

“Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.” (Mt 25:35-36)

Ev. Elias Codinhoto

sábado, 23 de outubro de 2010

QUAL A VONTADE DE DEUS?

JEREMIAS 42:1-43:7

“Então, chegaram todos os capitães dos exércitos, e Joanã, filho de Careá, e Jezanias, filho de Hosaías, e todo o povo, desde o menor até ao maior, e disseram a Jeremias, o profeta: Apresentamos-te a nossa humilde súplica, a fim de que rogues ao SENHOR, teu Deus, por nós e por este resto; porque, de muitos que éramos, só restamos uns poucos, como vês com os teus próprios olhos; a fim de que o SENHOR, teu Deus, nos mostre o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer.” (Jr 42:1-3)

Já se encontrou desesperado na hora de tomar alguma decisão, como quem se depara com uma bifurcação numa estrada e não sabe que direção seguir? – acredito que não! Essas coisas só devem acontecer comigo. Quem sabe os zimbabuanos também passem por isso, mas você com certeza não, ou estou enganado?

CATIVOS DA DESOBEDIÊNCIA

O povo de Israel estava sobre domínio de Nabucodonosor, rei da Babilônia, por causa de seus pecados (Jr 19:5), vejam o que diz no Salmo 106:34-42: “Não destruíram os povos, como o SENHOR lhes dissera, antes, se misturaram com as nações e aprenderam as suas obras, e serviram os seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios; e derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaã, e a terra foi manchada com sangue. Assim, se contaminaram com as suas obras e se corromperam com os seus feitos, pelo que se acendeu a ira do SENHOR contra o seu povo, de modo que abominou a sua herança e os entregou nas mãos das nações; e aqueles que os aborreciam se assenhorearam deles. E os seus inimigos os oprimiram, humilhando-os debaixo das suas mãos”. Deus mandou que Israel destruísse todos os povos que habitavam a terra prometida, mandou que os dizimassem, e eles desobedeceram à ordem de Deus. Mas por que Deus deu tal ordem?

INFLUENCIANDO OU SENDO INFLUENCIADO?

Deuteronômio 9:5 diz: Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas, pela impiedade destas nações, o SENHOR, teu Deus, as lança fora, de diante de ti; e para confirmar a palavra que o SENHOR, teu Deus, jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.

1º) Deus mandou destruí-los, por causa da própria maldade daqueles povos.

2º) Para que Israel não fosse influenciado por aquelas nações; como aconteceu, por desobedecerem a Deus acabaram praticando as mesmas obras, a ponto de matarem seus filhos em sacrifício aos demônios.

Vivemos em um mundo caído, “...o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4:4). Todos os dias encontramos pessoas cegas, com suas mentes contaminadas pelo pecado, além da mídia, que influenciam o mundo com ensinos de demônios (1Tm 4:1), o que era certo, passou a ser “errado”, e o errado passou a ser “certo” para este século, muitos tem aceitado esse raciocínio como verdadeiro.

O povo de Israel foi influenciado por aqueles povos, e praticaram as mesmas obras, então veio à ira de Deus sobre eles. Do mesmo modo, muitos evangélicos acabam abandonando a fé. Pessoas que conhecem a verdade se desviam dos caminhos do Senhor seguindo a voz deste século, principalmente jovens; eles dizem: “meus amigos podem, por que eu não posso, eles fazem, por que não posso fazer?”. Mas ainda ressoa a voz de Cristo: “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5:13-16). Deuteronômio 28:13 diz: “O SENHOR te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do SENHOR, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir”. Deus nos colocou por cabeça e não cauda, nós devemos influenciar o mundo, e jamais ser influenciado por ele.

O Senhor nos chamou para conduzirmos os cativos à liberdade que há em Cristo.

Mas se o sal for insípido, com que se há de salgar?

Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! (Mt 6:23)

Agora eu pergunto: você tem influenciado ou tem sido influenciado? Está agindo coma cabeça ou cauda?

SOFREMOS FORA DA VONTADE DE DEUS

O povo sofria por não fazer a vontade de Deus. Neste período Zedequias reinava em Judá sobre domínio Babilônico, mas ele se rebelou contra o rei da Babilônia. Deus enviou o profeta Jeremias para profetizar contra Zedequias, mandando que ele se rendesse a Nabucodonosor. Mas os falsos profetas profetizavam contra Jeremias, dizendo que Zedequias prevaleceria diante do rei da Babilônia. Jeremias foi tratado como se fosse falso profeta, foi castigado e preso, até que suas profecias se cumpriram, pois foi Deus que o enviou pregar e, o que Deus fala sempre se cumpre. Em Deuteronômio 18:21-22 diz: “Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou? Sabe que, quando esse profeta falar em nome do SENHOR, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o SENHOR não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele”.

Zedequias sofreu por não fazer a vontade de Deus, pois como Jeremias falou aconteceu; Jerusalém foi conquistada novamente, seus muros foram derrubados, o povo foi levado cativo para a Babilônia, os filhos de Zedequias foram mortos diante dele e seus olhos foram furados, e aos mais pobres da terra, que nada tinham, foram deixados na terra e foi lhes dado vinha e campos naquele dia. (Jr.39:1-10)

Gedalias, foi nomeado governador de Judá, e Jeremias ficou com ele. Sucedeu, porém, que, no sétimo mês, veio Ismael, que era da semente real, e dez homens com ele, e feriram Gedalias, e ele morreu, como também os judeus, e os caldeus que estavam com ele em Mispa.(2Rs 25:25/Jr 41:1-3), e conduziam cativo o restante do povo para o território de Amom, inclusive Jeremias, o profeta. Então, Joanã, e todos os príncipes dos exércitos que estavam com ele perseguiram Ismael e resgataram o resto do povo, mas Ismael escapou com oito homens para o território de Amom.

PERGUNTAR ANTES DE PROSSEGUIR

“Tomou, então, Joanã, filho de Careá, e todos os príncipes dos exércitos que estavam com ele a todo o restante do povo que Ismael, filho de Netanias, levara cativo de Mispa, depois de ter ferido a Gedalias, filho de Aicão, isto é, os homens valentes de guerra, as mulheres, os meninos e os eunucos que havia recobrado de Gibeão; partiram e pararam em Gerute-Quimã, que está perto de Belém, para dali entrarem no Egito, por causa dos caldeus; porque os temiam, por ter Ismael, filho de Netanias, ferido a Gedalias, filho de Aicão, a quem o rei da Babilônia nomeara governador da terra.” (Jr 41:16-18 – grifo do autor)

Joanã com o remanescente do povo parou em “Gerute-Quimã”, e é para lá que vamos agora:

ü Gerute no hebraico significa = lugar de abrigo, hospedagem, alojamento, pousada, etc.

ü Quimã significa = seu desejo.

Gerute-Quimã era um lugar de abrigo ou hospedagem, próximo a Belém, na terra que provavelmente Davi tenha dado a Quimã que foi um seguidor e provavelmente um filho de Barzilai o Gileadita, um homem muito rico que sustentou Davi enquanto estava refugiado, por causa de seu filho Absalão, em Maanaim (2Sm 19:31-38). Mas, para nós é exatamente o que estava no coração daquele peque povo, Gerute-Quimã, “desejo de abrigo”, desejo de segurança, eles procuravam proteção, fugiam da guerra, estavam cansados, temiam Ismael que poderia voltar com mais homens; e temiam o rei da Babilônia; eles queriam se abrigar no Egito, pois acreditavam que lá teriam comida e segurança, o Egito era para eles a melhor opção. Alguém, porém, se lembrou: “Jeremias o profeta do Senhor esta conosco, vamos consultar a Deus para saber que caminho seguir”, pois, seguindo eles os desejos de seus corações não chegaram a lugar algum, só se machucaram. Eles esperaram a situação ficar totalmente confusa, e só depois se lembraram de pedir orientação a Deus (é claro que isso não acontece conosco, só em Zimbábue).

Não espere as coisas saírem do controle para se voltar a Deus, não espere chegar ao fundo do posso para pedir socorro, não devemos começar andar e depois perguntar a Deus o caminho, pergunte antes de seguir. Pedro não esperou para pedir socorro ao Mestre, poderia ter tentado nadar, pois era um experiente pescador, sabia nadar (Jo 21:7-11), mas assim que começou a afundar gritou: “Salva-me, Senhor!” (Mt 14:30).

Estamos nós aqui, parados em Gerute-Quimã. Talvez você esta tentando decidir se casa ou compra uma bicicleta. – Qual seu receio? Do que tem medo? Por que se esconde? – Qual à vontade de Deus? O que Deus quer que faça? Por qual caminho seguir? – Esta foi à pergunta que fizeram a Jeremias: “roga por nós ao SENHOR, teu Deus, por todo este resto; porque de muitos restamos uns poucos, como vêem os teus olhos; para que o SENHOR, teu Deus, nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer.” (Jr 42:2-3).

DECEPCIONADO COM A RESPOSTA

Eles perguntaram qual à vontade de Deus, mas como já vimos, o desejo de seus corações era descer ao Egito, eles queriam um lugar de abrigo, e acreditavam que o Egito era este lugar. Mas a resposta de Deus foi contraria as suas expectativas, Deus lhes diz: “Se de boa mente ficardes nesta terra, então, vos edificarei e não vos derribarei; e vos plantarei e não vos arrancarei, porque estou arrependido do mal que vos tenho feito. Não temais o rei da Babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o SENHOR, porque eu sou convosco, para vos salvar e para vos fazer livrar das suas mãos. E vos farei misericórdia, para que ele tenha misericórdia de vós e vos faça voltar à vossa terra.” (Jr 42:10-12)

Que decepção! Eles estavam esperando uma resposta e Deus lhes deu outra. Aqueles que nos versos 5 e 6 diziam: “Seja o SENHOR entre nós testemunha da verdade e fidelidade, se não fizermos conforme toda a palavra com que te enviar a nós o SENHOR, teu Deus. Seja ela boa ou seja má, à voz do SENHOR, nosso Deus, a quem te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do SENHOR, nosso Deus”. Agora dizem: “Tu dizes mentiras; o SENHOR, nosso Deus, não te enviou a dizer: Não entreis no Egito, para lá peregrinardes.” (Jr 43:2b).

Gerute-Quimã significava não só “desejo de abrigo”, mas também “lugar de abrigo para seu desejo”. Não fui isso que Jesus disse?: “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” E também: “porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Lc 6:45 e 12:34). Eles já tinham pré-estabelecido em seus coração descer ao Egito, eles na verdade não estavam dispostos a obedecer a Deus, não estavam perguntando qual a vontade de Deus para cumpri-la, é como alguém que pede uma opinião, e não uma direção. Só não compreendiam que: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17:9 RA). Em outra tradução diz: “Quem pode entender o coração humano? Não há nada que engane tanto como ele; está doente demais para ser curado.” ( Jr 17:9 NTLH)

Deus muitas vezes nos manda seguir por onde não queremos. Planejamos nosso trajeto, mas sentimos Deus nos direcionando para outro lado, e dizemos: “não pode ser de Deus!”. Na realidade o que queremos é seguir nosso próprio coração, nosso enganoso e corrupto coração.

CONCLUSÃO:

ü Nunca haverá segurança ou proteção divina fora da vontade de Deus.

ü Devemos saber que “Deus é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Ef 3:20). À vontade de Deus é sempre melhor que a nossa. “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite”. (Sl 90:4)

ü Antes de perguntarmos a Deus qual a sua vontade para nossas vidas, temos que estar dispostos a cumpri-la, e poder dizer: “Ó Deus! Se o Senhor me mostrar a sua vontade vou fazê-la, seja ela qual for, pois sei que é o melhor para mim”. Foi este o exemplo que Jesus nos deu no Getsêmani, quando orou dizendo: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua”. (Lc 22:42). Não estou dizendo que não devemos pedir a Deus aquilo que desejamos, estou dizendo que devemos pedir segundo a sua vontade, dizendo sempre: “mas que seja feita a sua vontade e não a nossa!”.

ü Ao invés de perguntar a Deus qual vontade dEle para sua vida, experimente perguntar apenas: qual é à vontade dEle, pois é mais fácil obter respostas, à vontade de Deus está expressa na Bíblia Sagrada, basta ler, e saberemos qual a sua vontade. A vontade dEle para nossas vidas se cumprira, se estivermos seguindo seus mandamentos. José não estava tentando ser governador do Egito, ele simplesmente fez a vontade de Deus, obedeceu a seus mandamentos, não se contaminou com a mulher de Potifar, e mesmo na prisão, não blasfemou, e Deus o conduziu para o centro de sua vontade, fazendo-o senhor no Egito.

ü Há outra coisa importante, no verso 7 diz assim: “Ao fim de dez dias, veio a palavra do SENHOR a Jeremias”. Quando buscamos a vontade do Senhor, devemos ser pacientes, Jeremias que era profeta, aguardou dez dias, Daniel aguardou vinte e um dias a resposta de Deus (Dn 10:13), e nós muitas vezes queremos a resposta de Deus imediatamente, saiba que Deus nunca se atrasa, sua hora é perfeita. Saul não teve paciência para esperar, e seu reino foi dado a outro (1Sm 13:8-14).

DESAFIO

Estar no centro da vontade de Deus é o nosso desafio todos os dias, e o amor é a nossa motivação, Jesus nos disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”. (Jo14:23)

LEITURA FINAL

Salmo 40:8 – “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração”.

Ev. Elias Codinhoto.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pescadores de homens

Quando Deus formou a Terra e a povoou com animais e plantas, Ele formou do barro um personagem a sua imagem e semelhança, soprou nele o fôlego de vida, e o chamou de homem (Gn 1:27);

Quando desejou separar uma nação que levasse o seu nome, escolheu um desses homens, lá da terra de Ur dos caldeus, e por seu exemplo de fé o chamou amigo de Deus (Tg 2:23);

Quando quis um rei, chamou o humilde pastorzinho, o menor de sua casa, aquele que derrotou o gigante e exércitos, compôs salmos. O Senhor o chamou de homem segundo o coração de Deus (At 13:22);

A um de seus profetas disse: “... tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lha anunciarás da minha parte.” E o chamou de atalaia (Ez 3:17);

E para salvar o homem que ser perdeu, com declara João 3:16 - “ Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Sim! Ele enviou seu Filho, e o chamou de Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz (Is9:6); o Deus conosco (Mt 1:23), o REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES (Ap 19:16). “Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (1 Tm 1:17). JESUS.

E para anunciar as boas novas dessa tão grande salvação, escolheu alguns pescadores do Mar da Galiléia, homens simples e sem instrução (At 4:13), dizendo a eles: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28:19-20a). E Deus os chamou de pescadores de homens (Mt 4:19).

Ev. Elias Codinhoto

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

DATA DE VALIDADE

Então, Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair à pressa da masmorra; ele se barbeou, mudou de roupa e foi apresentar-se a Faraó. (Gn 41:14)

A garotinha observava atentamente a mãe que cuidadosamente pegava os produtos nas prateleiras do supermercado. Sentada dentro do carrinho, seus olhos não perdia nenhum movimento da atenta mamãe, que, ao pegar um produto, olhava o verso, a lateral, fundo... – E, sem saber exatamente o que significava aquilo, a menina repetia os movimentos com os potes, frascos, caixas, pacotes, que iam sendo depositados no carrinho. A mãe observou e perguntou: “o que está fazendo filha?” – “não sei!” – respondeu a garotinha. “Só estou fazendo como à senhora faz, mamãe”...

Você também costuma fazer compras no supermercado? – Se respondeu sim, sabe como é importante observar a data de validade dos produtos, principalmente aqueles que estão em promoção, pois um produto com data de validade vencida ou que vai vencer antes do consumo, com certeza se estragará. Parece que com o tempo “tudo” se estraga, “tudo” perece...

José havia esperado muito tempo. Quando jovem, ele teve sonhos, em seus sonhos ele era grande, tinha muita responsabilidade, governava sobre toda sua família. Mas agora, estava na prisão, preso já a vários anos, embora não tivesse cometido crime algum. A família – sim, a família! Não foram seus próprios irmãos que o venderam como escravo ao Egito? – Será que seus sonhos estavam com a data de validade vencida? Será que ao recebermos promessas de Deus temos que olhar a data de validade?

Abraão teve a mais esperada de suas promessas cumprida aos cem anos de idade (Gn 21:5), porém não perdeu a fé ao esperá-la (Rm 4:19). Mas seria possível a palavra de Deus se estragar com o tempo? – Veja esta declaração de Jesus: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mt 24:35). Mesmo os produtos mais resistentes nesta Terra, com o tempo se estragam (Mt 6:19-20), porém a palavra do Senhor não tem data de validade, ela se cumprirá, independente do tempo ou das circunstâncias (Is 55:11).

Alguns produtos têm recomendações especificas para conservação: “mantenha refrigerado a tantos graus, guarde em lugar fresco e arejado, mantenha fora do alcance da luz...”. Porém, para as promessas de Deus há somente uma recomendação: “mantenha a fé”, não por haver algum risco de se estragar, pois ela se cumprirá independente até mesmo de nossa fé, mas a recomendação é para que nós não soframos ou desanimemos ao esperar a promessa (Lc 22:32).

Mesmo na prisão José sabia disso, por isso aguardava atentamente a promessa. Quando as luzes do cárcere se apagam, e agora com trinta anos, José ainda podia fechar seus olhos e sonhar com as promessas. Ele nunca deixou de se preparar, suas ações demonstravam isso: Como escravo na casa de Potifar, ele se preparava, treinava a administração com tanto afinco que se tornou responsável por toda a casa (Gn 39:6), até mesmo na prisão, exercia com muito esmero o seu dom, que alcançou ali uma honrosa posição (Gn 39:20-23). Como um atleta que se prepara para uma competição, pois sabe que quando chegar o hora, deve estar preparado (1Co 9:-26). E você, caro leitor, está se preparando para promessa? Ou acredita que sua promessa possa estar com a data de validade vencida?

No tempo apropriado (Ec 3), a promessa se cumpriu na vida de José (Gn 41:38-46), e o mais importante, ele estava pronto, pois não ficou reclamando do tempo da promessa, mas, dia após dia se preparava, porque a fé em seu coração lhe dizia: “promessa não tem data de validade”, então ele prosseguia. “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl 6:9).

Confie em Deus! Não precisa procurar a data de validade nas promessas de Deus, pois todas tem escrito no verso, não em letrinhas minúsculas, mas em letras garrafais: “ETERNAS”.

“Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?” (Lc 12:42).

Ev. Elias Codinhoto.

domingo, 19 de setembro de 2010

A Carta

“São estas as palavras da carta que Jeremias, o profeta, enviou de Jerusalém ao resto dos anciãos do cativeiro, como também aos sacerdotes, aos profetas e a todo o povo que Nabucodonosor havia deportado de Jerusalém para a Babilônia,” (Jeremias 29:1)

As grandes estátuas estavam espalhadas por toda parte, dentro e fora das casas, nas praças e lugares públicos, deuses babilônicos, símbolos de um império pagão. O maravilhoso Jardim Suspenso, (que já foi considerado) uma das sete maravilhas do mundo. Rios subterrâneos e o melhor sistema de irrigação (para época) revelam quem domina. Assim se encontrava o povo hebreu, cativos em Babilônia, longe da tão querida Canaã, distantes dos sonhos, longe dos cultos no templo (que foi saqueado e queimado). Agora a terra que cultivam não lhes pertence, edificam para outros, seus corações suspiram pela liberdade que lhes foi tirada. “Deus nos desamparou!”, esse era o sentimento que predominava entre o povo. Fomos esquecidos, Deus não olha para nós, seremos consumidos.

As nações vizinhas diziam: Onde está o Deus dos hebreus? Estão sendo castigados. Deus os desamparou totalmente. É neste período difícil, que chega uma carta enviada por Jeremias, profeta do Senhor, dizendo: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito...”, ou seja, vocês estão enganados a meu respeito, não sabem meus planos, não podem falar por mim, “... são pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jr 29:11). Vejam o que diz o Salmo 31.22: “Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro”.

Talvez seja assim você se sente em meio às lutas, quando não consegue compreender o que está atravessando. Quando nosso olhar se desvia do Mestre e só vemos as dificuldades, em nossa pressa, em meio às ansiedades dizemos: “estou excluído da presença de Deus”. Tenha calma, pois Ele também ouve sua voz de súplica, quando você clama por socorro, e lhe envia uma carta dizendo: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais”. Essa carta se chama Bíblia Sagrada, e também diz: “Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5). Deus não se esqueceu de você! Leia essa carta! Você perceberá que Ele te ama muito e está cuidando de você.

Quero ressaltar mais algumas linhas dessa tão bela carta de Deus aos homens: “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? ...buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” (Mt 6:25, 26, 33 e 34).

Deus está te vendo, mesmo quando a luta aperta, mesmo quando parece não ter jeito, embora não o veja, embora não o ouça, ainda assim, Ele não se esqueceu de você!

Ev. Elias Codinhoto.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

LIDANDO COM OS CONFLITOS

“Ouvindo isto os filhos de Israel, ajuntou-se toda a congregação dos filhos de Israel em Siló, para saírem à peleja contra eles.” (Josué 22:12)

O exército chegou às margens do Jordão pronto para peleja, na outra margem estava um altar que supostamente representa rebelião contra Deus. Na verdade, ninguém no exército sabia com exatidão o real motivo pelo qual o altar foi edificado, alguém julgou segundo seu próprio ponto de vista e, por uma interpretação precipitada, toda nação estava em pé de guerra. Esse tipo de interpretação também é muito comum em nossos relacionamentos. No trabalho, na família, com os amigos e principalmente no relacionamento conjugal. Geralmente, analisamos as situações por apenas uma perspectiva, a nossa!

Por exemplo: alguém esta aguardando uma pessoa e ela se atrasa. O que geralmente nos passa pela mente é: “ela não tem consideração”, “eu tenho outros compromissos, como pode me deixar esperando?”, “que falta de respeito”. Esses pensamentos vão dando lugar a sentimentos como: desvalorização, raiva, indignação, desrespeito, entre outros. O que raramente se passa por nossa cabeça é: “será que aconteceu alguma coisa?”, “o que pode o ter atrasado?”, “ela deve ter um bom motivo para o atraso!”. Dificilmente damos vazão ao sentimento de empatia, preocupação ou compreensão. Apenas julgamos precipitadamente segundo nosso ponto de vista e, na maioria das vezes nos frustramos.

Outra causa frequente para conflitos e frustrações são as expectativas. Geramos em nossa mente um tipo de “visão do futuro”, onde prevemos os acontecimentos numa ótica individual. Por exemplo: dia do aniversário, - a pessoa passou o dia acreditando que o cônjuge compraria aquela roupa que viram juntos no shopping, afinal, ela deu todas as dicas, demonstrou grande interesse, é “óbvio” que ele comprou. O “distraído” marido chega feliz da vida com um buquê de flores, achando que iria “arrasar”, e arrasou mesmo! Com o verdadeiro sentido da palavra. Note que destaquei propositalmente a palavra “óbvio”, pois não existe nada óbvio a todos, o que é óbvio a alguém, pode ser totalmente irrelevante para outros.

Expectativa. Naamã quase perdeu uma grande benção por se basear em expectativas (2 Rs 5): “Naamã, porém, muito se indignou e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, pôr-se-ia de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso.” (2Rs 5:11). Percebemos que ele já havia visualizado em sua mente como seria o encontro com o profeta Eliseu, e se frustrou ao perceber que sua expectativa não se realizaria.

Elias não duvidou um só instante que Deus mandaria fogo, mas em sua expectativa ele achava que Israel (principalmente o rei) se voltaria inteiramente para Deus e não teria mais de se esconder, não passava por sua mente a ideia de ser perseguido por Jezabel. Podemos vê-lo correndo esperançoso à frente do carro do rei Acabe (1Rs 18:46), e depois pedindo a morte (1Rs 19:4) por ter sua expectativa frustrada. Mas a Palavra expressamente nos diz: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”. (Filipenses 4:6-7).

Podemos extrair do texto áureo lições práticas para tratar os conflitos:

1) A primeira coisa a fazer é ouvir atentamente a versão da(s) pessoa(s) ofendida(s) (Js 22:15-20);

2) Depois é importante que se desculpe pela ótica do(s) ofendido(s), ou seja, mesmo que tenha havido um mal entendido, primeiramente se desculpe por isso (Js 22:21-23). (ex. me perdoe por tê-lo feito se sentir assim, em sua ótica eu também me sentiria ofendido). Se a exposição é autentica, não há nada mais a fazer do que se desculpar e, quando possível, restituir ou solucionar a causa.

3) No caso de um mal entendido, somente após se desculpar (tendo em mente a ótica do outro), explique sua versão da situação, pois a pessoa estará aberta a ouvir seus argumentos (Js 22:24-29). Se começar a dar explicações ou justificativas sem se desculpar, a pessoa ofendida pode não ouvi-lo.

“Ouvindo, pois, Finéias, o sacerdote, e os príncipes da congregação, e os cabeças dos grupos de milhares de Israel que com ele estavam as palavras que disseram os filhos de Rúben, os filhos de Gade e os filhos de Manassés, deram-se por satisfeitos.” (Js 22:30)

Ev. Elias Codinhoto

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Decisões que Marcam

Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo. (Mt 26:33-35)

Decisões que marcam! Por que levamos tão a sério algumas decisões e outras não?

Por que pessoas passam anos sem se falarem? Sofrem, mais não mudam.

Existe um lugar em nosso interior, onde tomamos algumas decisões, onde colocamos palavras e elas se tornam firmes e enraizadas, esse lugar se chama alma.

– Nunca mais falo com você... – Nunca farei isso... – Não volto atrás... – Não abro mão...

São palavras que quando descem a alma aprisionam quem as pronunciam.

Pedro teve esse tipo de atitude, decidiu que não abandonaria Jesus, mesmo que tivesse que morrer por Ele. Mas era contra a vontade de Deus, o plano de salvação dependia da morte de Cristo. Jesus diz: “você me negará três vezes”, mas Pedro responde: “de modo nenhum te negarei”. Quando todos os discípulos tiveram medo e fugiram, Pedro também temeu, mas em seu coração estavam as palavras: “jamais te abandonarei”, “de modo nenhum te negarei”, elas ressoavam em sua alma, e o discípulo segue Jesus; assustado junto à fogueira é identificado, mas logo pensa: “eu falei que não o abandonaria”, ele está ligado a suas palavras, mas o nega uma, duas e três vezes, e se não fosse pelo cantar do galo e o olhar revelador de Jesus (Lc 22:61), continuaria a negá-lo.

A maioria dos mendigos em nossa sociedade são pessoas que tomaram decisões, abandonaram suas famílias e estão aprisionados a suas palavras. Passaram por decepções e perderam o prazer em viver, pois decidiram em suas almas desistir da vida.

Lares desfeitos, famílias transtornadas, decisões tomadas. – Nunca mais...! Você me decepcionou...! Não confio mais em ninguém...!

Jesus nos advertiu a respeito disso: “Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis (...). Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”. (Mt 5:34-37)

Alguns religiosos destorcem essas palavras, dizendo que o “sim” do cristão é como uma promessa que não se revoga. Mas Jesus está nos dizendo: “Não se prenda a palavras impensadas”, “Não se precipite em suas decisões”, “Você pode mudar”, “Seja livre!”.

Muitas pessoas vivem hoje aprisionadas a suas palavras, passam grandes dificuldades, mas não voltam atrás.

– Não preciso de você! Posso me virar sozinho! Não piso os pés aqui!

Só a palavra de Deus pode penetrar nesse ponto da alma e nos libertar (Hb 4:12).

Jesus começou seu ministério pregando o arrependimento (Mt 4:17), e hoje ainda ressoa a sua voz: “Arrependei-vos, arrependei-vos, pois é chegado o Reino dos Céus”. Enquanto dizemos: “falei, tá falado!”, “assumo a bronca!”, “não volto atrás”, “não perdôo”. Jesus nos convida a arrepender-nos de nossas palavras precipitadas.

Você pode mudar essa situação, o evangelho nos da o direito, isso é o que chamamos de conversão (mudança de direção). Desfrute dessa liberdade, não sofra mais, nossa vida é escrita em paginas em branco, você não pode mudar o que já foi escrito, mas pode escrever coisas novas, não se prenda ao passado!

Deixe para trás tudo que o aprisiona e desfrute a liberdade em Cristo (Jo 8:36).

Daniel 1:8a “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então,...”.

Decisões que marcam! Algumas são boas, outras ruins. Algumas ajudam, outras prejudicam. Algumas levantam, outras derrubam.

“Resolveu Daniel, firmemente”, essa é uma decisão tomada com a alma, algo que dificilmente é revogado. Daniel e seus amigos passaram por situações criticas, mas não retrocederam, veja a resposta desses homens diante de um decreto de morte (Dn 3:17-18) “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste”. Eles estavam dispostos a morrer, mas não retrocederiam. Daniel passou apuros, preferiu os leões, mas não retrocedeu (Dn 6), outros heróis da fé também permaneceram firmes, mesmo diante de circunstâncias terríveis, perigos de morte ou propostas tentadoras.

E você? Que decisões firmes precisam ser tomadas em sua vida?

Vimos que decisões erradas podem nos prejudicar e fomos desafiados a nos desprendermos delas, agora devemos tomar decisões corretas e estabelecer objetivos específicos. Sabemos que é perigoso firmar decisões no coração (alma), então: “Como fazer para não nos atarmos as decisões erradas?”.

Veja bem: Pedro se firmou em suas palavras, mas elas estavam fora da vontade de Deus e ele se prejudicou. Daniel alinhou suas palavras com a vontade de Deus e foi abençoado. O segredo é este: tomar decisões baseadas na palavra de Deus, decisões que se alinhe a sua vontade.

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36)

Ev. Elias Codinhoto.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Um Lugar de Adoração

“Deus lhe respondeu: Eu serei contigo; e este será o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte”.

(ÊXODO 3:12)

Moisés está preste a ter o encontro mais fantástico de toda sua vida. Eu fico imaginando como estava seu coração, sua mente... Acredito que era uma mistura de medo e euforia, sem falar na poderosa unção que estava sobre aquele lugar.

O que mais me fascina neste texto, é o sinal que Deus lhe propõe. Veja bem: Moisés cresceu no Egito, viveu lá por quarenta anos, conhecia o poder dos exércitos, sabia da segurança de suas fortalezas, sem falar, que ele próprio era um fugitivo do Egito. Ele acreditava que seria um instrumento para libertação de seu povo, pois Deus colocou esse sentimento em seu coração, mas ele havia tentado fazer isso com sua própria força e, frustrado após ter cometido um crime, foge para terra de Midiã, refugiando-se ali quarenta anos, na casa de Jetro, seu sogro (Ex 2:11-22). Acredito que do sonho de libertar seu povo restava apenas uma pequena fagulha. Quero fazer uma pequena pausa, para comparar esse momento que Moisés viveu com aquele que talvez você esteja vivendo hoje: Talvez, algo que já ardeu forte em seu coração, tenha se tornado uma pequena fagulha, as decepções o levaram a descrer de qualquer possibilidade de que isso se realize em sua vida. Confio que se esse sonho foi dado por Deus, o Espírito Santo o trará agora em sua mente e, peço que o guarde por mais alguns instantes. Vamos falar sobre o sinal que Deus propôs a Moisés:

Moisés estava apavorado com a idéia de voltar ao Egito (Ex 3:11), ele desejava algo que lhe desse confiança. “Deus respondeu: —Eu estarei com você. Quando você tirar do Egito o meu povo, vocês vão me adorar neste monte, e isso será uma prova de que eu o enviei” (NTLH). Ou seja: Moisés! Sei que estás temeroso, sei que não é fácil crer no que estou te dizendo, mas fica tranqüilo, Eu te darei um sinal, darei uma prova que serei contigo: você vai até o Egito, tira meu povo de lá, traga-o até este monte e, quando me adorar neste monte, esse será sinal que precisa. Isso é fabuloso! Só Deus pode falar assim, Ele é tão seguro de si mesmo que não precisa provar nada a ninguém, seu sinal é sua própria palavra, sua promessa já é a certeza que tudo se cumprirá. Mateus 24:35 nos afirma: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão”. E o impressionante é que Moisés foi ao Egito confiante no sinal que Deus lhe propôs.

Que momento glorioso! Moisés volta aquele monte, se prostra diante do Senhor e o adora, então Deus lhe Diz: “eis ai o seu sinal”. Foram quarenta dias na presença do Senhor, conversando com o Ele face a face. Quantas coisas devem ter se falado. Quem sabe Deus o interrogava: - diga-me Moisés, como foi está missão? Como se sentiu ao ver que faraó se endurecia a cada dia? E quando o povo se revoltou por não ter palha para os tijolos? Você se lembra de quando pararam de frente ao mar? Parecia não ter saída, não é mesmo? Como você poderia imaginar que Eu abriria um caminho no meio do mar? Foi bom ter confiado em mim, não foi? Não ter desistido, mesmo quando você não entendia o que Eu estava fazendo. Eu preparei para você este lugar de adoração, sabia que conseguiria, que chegaria aqui com o povo, por isso o enviei propondo apenas esse sinal.

Talvez você esteja à espera de um sinal, esteja sem coragem, quem sabe você começou ler esta mensagem pedindo a Deus que falasse com você dando-lhe coragem para prosseguir, Deus está te dizendo: vai! Enfrenta esta luta, não tema diante desta batalha, tenha coragem neste problema, nesta enfermidade, nesta situação de desavenças no lar, de desemprego, humilhação, inimizades... – pois tenho um sinal para você: quando voltares com sua vitória.

E quanto aos sonhos, aqueles que vieram a sua mente e, pedi que os guardasse por um instante, talvez Deus esteja te direcionando a começar uma obra, talvez um ministério, um novo emprego, mudança na carreira profissional, um chamado para missões... Em que área se sente desafiado por Deus? Quais os sonhos que Ele tem te dado? Acredito que é hora de pô-los em prática. Este é o sinal que você estava esperando!

Amada igreja! Deus também já tem preparado um “lugar de adoração” para você, aonde você chegará com o coração grato. Para cada prova que atravessar, para cada situação que enfrentar, o Senhor Deus sempre ficará te aguardando em um lugar de adoração, esperando por esse momento de grande comunhão, onde você verá as coisas pela ótica de Deus, onde você entenderá o porquê de ter sofrido pelo caminho, os porquês das perdas, das angustias, e verás as grandes vitórias que Ele te proporcionou. Então saberá que: “...todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28). E poderá dizer: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4:13).

“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (ROMANOS 8:37).

Ev. Elias Codinhoto.