quinta-feira, 26 de maio de 2011

Quem matou Jesus?


Caifás, porém, um dentre eles, sumo sacerdote naquele ano, advertiu-os, dizendo: Vós nada sabeis, nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação. Ora, ele não disse isto de si mesmo; mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus estava para morrer pela nação e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos. (João 11:49-52)



Quem matou Jesus Cristo? – Muitos já procuraram apontar um culpado. Adolf Hitler acusou os judeus e inflamou uma nação, que, com o ódio cego da vingança quase extinguiram com os israelitas. Alguns afirmam que foram os romanos, afinal, foi Pilatos quem assinou a sentença de morte, e para esses não importa que ele tenha lavado suas mãos declarando ser inocente do sangue de um justo (Mt 27:24), pois além disso, foram os soldados romanos que executaram a sentença. Outros procuram ser bem específicos, dizem que foram os fariseus e saduceus, os religiosos da época, ou ainda, os principais dos sacerdotes, que infiltrados incitava a multidão a clamar “crucifique-o” (Jo 19:6). Existem ainda os mais espirituais, esses declaram que foi toda humanidade, pois foi pelos pecados do mundo que Cristo morreu. Afinal, quem matou Jesus? Quem tirou sua vida?



Para Pedro, que com uma espada, tentou livra-lo de ser morto, o Mestre afirmou: “Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?” (Mt 26:53). As [1]legiões romanas variavam entre mil e oito mil homens, dependendo das baixas que eventualmente sofressem nas batalhas. Se pegarmos como base o menor número e multiplica-lo por doze, teremos doze mil anjos, e se ainda levarmos em consideração que apenas um anjo matou em certa ocasião cento e oitenta e cinco mil soldados (2Rs 19:35), estaremos falando por baixo, de um poder capaz de dizimar dois bilhões e duzentos e vinte milhões de homens, lembrando que a [2]população mundial nos dias de hoje está por volta de sete bilhões, porém, segundo os pesquisadores, na época de Cristo, a população mundial não passava de [3]duzentos milhões. Pilatos acreditava ter o poder para matar Jesus, mas a este “Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.” (Jo 19:10-11). Então, voltamos a nossa pergunta: “quem matou Jesus, qual poder poderia telo maniatado?”.



O apostolo Paulo não apontou um culpado, ates, declarou que Cristo por seu grande amor se entregou nós (Ef 5:2). Ele mesmo entregou sua vida em resgate de muitos (Mt 20:28). O próprio Cristo afirmou isso: “Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.” (João 10:17-18). Mas se só Ele poderia entregar sua vida a morte, onde entra os sacerdotes? Por que nos parece terem sidos eles a armar tal plano?



Na verdade foi Deus o autor deste “plano”, mas conhecido como “o plano da salvação”. Então onde entra os sacerdotes? – Justamente ai. Eles foram escolhidos para isso, afinal, eram eles quem imolavam os cordeiros. Os levitas foram os escolhidos, e dentre eles os descendentes de Arão, de onde apenas um, o sumo sacerdote, depois de morto o cordeiro, tinha acesso ao santo dos santos, o lugar além do véu. Caifás, o sumo sacerdote naquele ano, não poderia ficar de fora, por diversas vezes deveria ter administrado o sacrifício anual, aquele por toda nação, um, em beneficio de muitos.



Ninguém poderia mata-lo, mas Ele se entregou por nós, deu a sua vida, anulou-se, mesmo tendo todo o poder em suas mãos, o Rei se fazendo servo (Jo 13:3-15). O que fazemos quando temos poder? O dinheiro, um lugar privilegiado na hierarquia, a força física, beleza, conhecimento... - Como agimos quando detemos o poder?



Ele se entregou por nós...



“Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” (João 13:15).



Ev. Elias Codinhoto







[1] J. S. Vasconcellos, 1942. “Princípios de Defesa Militar”. Editora Biblioteca do Exército Brasileiro, 3ª Edição.


[2] Revista National Geographiv Brasil, 2011.


[3] History of the World. Dorling Kindersley Book.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O TOQUE DA GRAÇA


... tocou a orla da sua veste...” (Mt 9:20)



Aquela grande multidão caminhava a passos lentos. Era um amontoado de pessoas que se acotovelavam para poder chegar mais perto. Por onde aquele homem da Galiléia passava, coisas maravilhosas aconteciam; pessoas eram curadas, oprimidos eram libertos, os desprezados eram amparados... – “Quem me tocou?” exclamou Ele. Por incrível que pareça, em meio a uma grande multidão que o apertava, Jesus percebeu um toque diferenciado. Uma mulher que por doze anos sofria de um mal, foi curada instantaneamente após tocar na orla de sua veste. “Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto” (Mc 5:32). Você já se perguntou por que aquela mulher se escondia?


Marcos 5:33 diz: “Então, a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. Mas qual o motivo de tanto medo? Por que ela queria ocultar-se?


Aquela mulher sofria com um continuo fluxo de sangue (hemorragia, provavelmente em forma de menstruação) e, na lei de Moises tais pessoas eram consideradas imundas. Não somente a mulher, mas tudo o que tocasse também seria imundo e deveria passar por um processo de purificação, conforme descrito em Levítico 15. É interessante notar que Jesus nunca realizou um desses processos de purificação, mesmo tendo tocado em pessoas que segundo a lei contaminaria a qualquer outro, como por exemplo, um leproso ou um cadáver (Mt 8:3 e Lc 7:14). A palavra “tocou” não aparece por acaso nos evangelhos, esses toques de Cristo foram registrados por não serem atos comuns, pelo contrário, deveriam ser evitados ao extremo. Parece-me ser esse o motivo do temor daquela mulher, pois além de Jesus, certamente esbarrou em muitas pessoas naquela multidão, ela os temia; pois na lei diz: “Ordena aos filhos de Israel que lancem para fora do arraial todo leproso, todo o que padece de fluxo e todo imundo por ter tocado em algum morto; tanto homem como mulher os lançareis; para fora do arraial os lançareis, para que não contaminem o arraial, no meio do qual eu habito (Nm 5:2-3).


Agora que entendemos o temor daquela mulher, nos resta saber uma coisa: porque Jesus não se preocupava com isso? Veja o que diz Êxodo 29:37: Sete dias farás expiação pelo altar e o consagrarás; e o altar será santíssimo; tudo o que o tocar será santo”. Na verdade, o altar de sacrifícios simboliza o próprio Cristo, o cordeiro que foi morto, como é mencionado em Apocalipse 5 e 13. Quando aquela mulher tocou em Jesus houve um efeito inverso, ao invés de contaminá-lo, ela foi santificada por ele. Jesus sendo santíssimo não pode ser contaminado, porém, tudo o que tocar se torna santo.


Assim, pela fé, somos santificados em Cristo, isso é o que chamo de “o toque da graça”. “Graça” significa favor imerecido, nunca conseguiríamos ser merecedores do favor de Deus, por isso Ele manifestou sua graça em Jesus Cristo, santificando-nos por seu precioso sangue, e essa graça está disponível a todos, basta apenas um toque, o toque da graça (Rm 3:20-26).


Um dos milagres de Jesus me chama muito a atenção: um homem é trazido por quatro amigos até uma casa muito cheia em que Jesus estava; pessoas tinham vindo de todos os lugares para estar com o Mestre dos mestres. Não havia como entrar. Esses homens abriram um buraco no telhado e baixaram o amigo paralítico com uma corda. Jesus ao invés de curá-lo diz: “...Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados” (Mt 9:2). Nas palavras do escritor Philip Yancey: “Toda pessoa curada finalmente morre – e então o que acontece? Ele (Jesus) não viera principalmente para curar as células do mundo, mas para curar as almas das pessoas”. Por quanto tempo te valerá a cura física?


Meu caro leitor! Deus não quer apenas curá-lo de suas enfermidades físicas ou mentais, não quer apenas restaurar sua família ou finanças, Ele quer purificar a sua alma, quer te dar a chance de viver com Ele na eternidade. Toque nele! “porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pedro 1:16).


Leia 1 Pedro 1:10-23.


Ev. Elias Codinhoto.

domingo, 17 de abril de 2011

VASOS DE ALABASTRO


Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus. (Marcos 14:3)


Simão, o leproso, não é um nome comum, ainda mais para um fariseu (Lc 7:36), obviamente, identificava o mal que o afligia. Além de sofrimento físico, a lepra traz também a exclusão social, o isolamento, a vergonha e a dor, que não tocam somente o corpo, mas também a mente e a alma. A Bíblia não relata, porém o contexto nos leva a crer que Jesus o tenha curado. A refeição oferecida, possivelmente veio como sinal de gratidão. A casa estava cheia de ilustres convidados, todos escolhidos a dedo pelo próprio Simão (agora não mais o leproso). Entre eles, estava Lázaro (Jo 12:2), um convidado com bastante evidência (Jo12:11) pois Jesus o ressuscitou dentre os mortos após quatro dias de sua morte.


O jantar formal em Betânia ia indo “muito bem, obrigado!”, até o protocolo ser quebrado por uma mulher, que adentrou ao recinto com um pequeno vaso em suas mãos. Era Maria, irmã de Lázaro. Toda atenção se volta para ela, pois com os olhos cheios de lágrimas se aproxima do Mestre e quebra o pequeno vasilhame (Mc 14:3). Imediatamente um cheiro suave se espalha por toda casa. Todos reconhecem: “É Nardo puro!”. A essência de nardo era um óleo perfumado, importado das montanhas da Índia, e por esta razão, era extremamente caro. Mas ela, sem hesitar, despeja todo o conteúdo do frasco sobre a cabeça de Jesus, depois se prostra aos seus pés, molhando-os com suas lágrimas, acarinhando com beijos, e enxugando com seus próprios cabelos. Como declarou Davi no Salmo 51: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (v. 17).


Esta ação primeiramente incomodou seus discípulos, que criticaram a mulher, julgando que ela havia desperdiçado um grande valor, que poderia ser dado aos pobres (João 12 atribui o comentário apenas a Judas Iscariotes, destacando sua ganância). Depois incomodou Simão, que descrê do ministério profético de Jesus, pois considerava a mulher como uma pecadora, e achava ser inconcebível que um profeta permitisse ser tocado por alguém impuro. E logo a aparente gratidão de Simão se desfaz, pois Jesus coloca em evidência o sentido daquele ato, e diz a mulher: “Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.” (Lc 7:47). O que é um jantar comparado ao puro nardo? – Antes de explorarmos o profundo significado do nardo, precisamos ressaltar o valor do vaso de alabastro. [1]“Esses pequenos vasos de perfume em forma de frascos eram originalmente feitos duma pedra encontrada perto de Alabastron, no Egito. A própria pedra é uma forma de carbonato de cálcio (não devendo ser confundido com o alabastro moderno, sulfato de cálcio hidratado). Usualmente, o alabastro original é branco, mas às vezes contém traços de outras cores, visto que é uma formação de estalagmite”.


Inutilizar o precioso vaso simbolizava o nível de amor, quebrantamento e gratidão de Maria, sem reservas, sem orgulho. O que ela estava oferecendo não tinha mais como retornar, não poderia ser acumulado novamente, ela estava declarando que tudo que possuía pertencia a Cristo e, a partir daquele momento, teria uma vida sem reservas, pois sua confiança estava totalmente em Deus. Todo cristão precisa quebrar esses “vasos” em sua vida, “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6:21). O vaso de alabastro era o compartimento para armazenagem, mas um vaso quebrado não pode reter, nem mesmo uma pequenina gota, pois vasos quebrados exalam perfume. “Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem.” (2Co 2:15). Agora Deus derrama sobre nós o seu bom perfume, e nós, vasos quebrantados, exalamos sua fragrância.


O nardo representa aquilo que entregamos, os dons que possuímos, nossas posses, serviços, conhecimento, amizades, apoio... Todos temos “nardo”, algo para ser entregue, cada um conforme o que recebeu (1Pe 4:10). Não são apenas os dons espirituais que devem ser colocados a favor do reino, temos também talentos naturais, que foram dados por Deus, mesmo quem não é cristão recebeu “habilidades”, e, uma vez transformados pela regeneração em Cristo, devemos compartilhar o que temos, sem reservas. Até mesmo um abraço pode fazer toda diferença na vida de alguém. Derrame seu “nardo” como oferta de gratidão!


Há quem acredite que Jesus Cristo foi ungido em duas ocasiões com óleo perfumado. A meu ver, Jesus foi ungido apenas uma vez, pois as narrativas são a mesma, tanto em Mateus 26:6 (estando Ele em Betânia, em casa de Simão, o leproso), como em Marcos 14:3(Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso...), de novo em Lucas 7:36-50 (reparem que Jesus chama o fariseu de Simão, vs. 40-44), e novamente em João 12:1 (“Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus para Betânia, onde estava Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos.”) O texto diz que Jesus foi para Betânia seis dias antes da Páscoa, isso não quer dizer que o jantar aconteceu neste mesmo dia. Mas, o que importa mesmo, é que mais uma vez está se cumpre a palavra de Cristo: “Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.” (Mt 26:13).


Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. (2Co 2:14).


Ev. Elias Codinhoto








[1] http://bibliotecabiblica.blogspot.com/2009/09/o-que-era-um-vaso-de-alabastro.html

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Posso Suportar

tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).

Este versículo é muito conhecido e, algumas vezes, interpretado fora de seu contexto. Aqui não diz que posso fazer qualquer coisa, que serei bem sucedido em tudo que fizer, que não passarei por momentos de crises, ou coisas semelhantes. Porém, diz que posso suportar qualquer situação, seja ela boa ou ruim. Veja o que Paulo diz no verso 11: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação”. A palavra aqui para “contente”, no original é a palavra “autarkes”, que quer dizer: “suficiente para si mesmo, forte bastante ou que produz o suficiente para não necessitar de auxílio ou apoio; independente de circunstâncias externas; contente com a sua sorte ou fortuna, como os recursos que possui, ainda que limitadíssimos” (Strongs). Ou seja, quando estiver com minha mesa farta, estarei contente; se desfrutando de perfeita saúde, estarei contente; com uma situação familiar estável, estarei contente; desfrutando as bênçãos do céu sem me tornar orgulhoso, reconhecendo de Deus provê todas as coisas. Mas também, quando eu passar provações, estarei contente; no tempo de escassez, estarei contente; se perder a saúde, estarei contente; se estiver desempregado, estarei contente; ou se outras adversidades me sobrevierem, ainda assim, estarei contente. Poderei suportar, sem que saia qualquer palavra de murmuração de minha boca, pois Deus está comigo, eu suportarei e estarei contente.

No verso 12 Paulo diz: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez”; ou seja, eu posso passar privações, posso passar fome, posso ser abastado de bens, posso ter saúde ou conviver com a enfermidade, em qualquer situação posso sempre dizer: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8:37). Não aceite que o diabo te diga: “você não pode suportar o que está atravessando”, isso não pode tragá-lo. O inimigo quer pôr a duvida em sua mente, ele quer roubar sua fé, mas se Deus diz que você pode suportar e, quem pode ser contrário a isso, “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?” (Rm 8:32), pois ele é conosco. A Bíblia também diz que: Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, que a possais suportar” (1Co 10:13). Sabe o que isso quer dizer? – Você será vencedor em qualquer situação, por isso não tenha medo, podemos suportar! Não quer dizer que seremos poupados das dificuldades, mas, diz que Deus estará conosco todo tempo. O diabo quer nos fazer desistir, por isso traz o sentimento de derrota, de que não conseguiremos, que a luta é muito grande para nós, só que a Verdade de Deus nos diz: “posso todas as coisas”, ou ainda: “posso suportar todas as coisas”. O Espírito Santo está em nós, e a vitória também, assim eu posso todas as coisas: posso suportar a doença, posso ficar sem sexo no namoro, posso viver sem a masturbação, sem as drogas, sem roubar, sem a pornografia, sem riquezas, sem o reconhecimento alheio...

Nos momentos felizes, louve a Deus! Nos momentos difíceis, busque a Deus! Nos momentos silenciosos, adore a Deus! Nos momentos dolorosos, confie em Deus! A cada momento, agradeça a Deus! “Regozijai-vos sempre” (1 Ts 5:16).
 

Ev. Elias Codinhoto.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Não Pare!

Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais” (Jr 20:9).

Esse versículo é considerado uma das pérolas do livro de Jeremias. Uma passagem apinhada de sentimento, onde se vê uma alma despida. O profeta faz uma queixa ao Senhor (Jr 20:7-18), pois o Ele o constrangia a pregar uma palavra dura ao povo. Jeremias dizia: “Sempre que falo é para gritar que há violência e destruição. Por isso a palavra do Senhor trouxe-me insulto e censura o tempo todo” (Jr 20:8). O povo estava revoltado com a pregação do profeta, eles o desprezavam, não tinha amigos, todos desejavam o seu mal. Ele era como João Batista, que foi perseguido e morto por Herodes, por pregar a verdade sobre o pecado (Mt 14:3-5). Porém, quando o profeta pensava em desistir, quando se sentia cansado por trabalhar sem reconhecimento humano, quando pensava em regredir, tal negligência era como uma chama consumidora dentro de si, uma tensão insuportável que o impelia para frente, pois o ardor desse fogo o fazia prosseguir. O apostolo Paulo também foi impulsionado por Jesus quando se queixou do sofrimento, e ainda hoje ressoa a nossos ouvidos as palavras de Cristo, como a chama que ardia nos ossos de Jeremis: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12:9a).

O Espírito Santo nos motiva dizendo: “não pare”, “Porque o amor de Cristo nos constrange” (2Co 5:14a) a seguir em direção ao nosso alvo, não podemos resistir a essa voz, não podemos apagar esse fogo, não podemos extinguir o Espírito dentro de nós (1Ts 5:19). Somos desafiados a gerar filhos espirituais, “porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz, esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido” (Gl 4:27). Temos que contagiar outros com essa chama poderosa do Espírito, fazendo discípulos, como diz a grande comissão: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19).

Se você estava se sentindo cansado, injustiçado, perseguido ou desvalorizado, não pare, continue um pouco mais, são nesses momentos que Jesus nos diz: “se alegrem, sois bem-aventurados”, veja: “Bem-aventurados sois quando os homens vos odiarem e quando vos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do Homem. Regozijai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu; pois dessa forma procederam seus pais com os profetas” (Lc 6:22-23). Existe de fato um grande premio, que só será entregue ao que terminar a prova. Encontramos por diversas vezes nas cartas as igrejas em Apocalipse esta frase: “ao que vencer” (Ap 2:7,17,26 e 3:21), e em Mateus 24:13 diz: Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”. Paulo faz questão de deixar isso bem claro: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis” (1Co 9:24). Mas se somos muitos, quem receberá o premio? Quem será o vencedor? Eu? Você? ...? Um só levará o premio?

“Em 1992, nas olimpíadas especiais de Seattle, também chamada de Paraolimpíadas, nove participantes, todos com deficiência mental ou física alinharam-se para a largada da corrida dos cem metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com a vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos, exceto um garoto, que tropeçou no piso, caiu rolando e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo olharam para trás. Viram o garoto no chão, pararam e voltaram. Todos eles! Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou-se, deu um beijo no garoto e disse: "pronto, agora vai sarar". E todos os noves competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e não tinha um único par de olhos secos. E os aplausos duraram longos minutos. As pessoas que estavam ali, naquele dia, repetem essa história até hoje. Por quê? Porque, lá no fundo, nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho, é ajudar o próximo a vencer também, mesmo que isso signifique diminuir o passo e mudar de curso. Que cada um de nós possa ser capaz de diminuir o passo ou mudar de curso para ajudar alguém que em algum momento de sua vida tropeçou e precisa de ajuda para continuar!”

É assim que venceremos como igreja, como corpo de Cristo (1 Co 12:27), como noiva adornada para o seu esposo (Ap 21:2), ajudando uns aos outros.

Em Marcos 2:1-12, vemos Jesus realizando mais um de seus milagres, porém, duas coisas fizeram grande diferença, uma delas se chama solidariedade: o aleijado foi trazido por quatro amigos, e esses, não desistiram em meio às dificuldades, antes, subiram no telhado e baixaram o amigo por uma corda até os pés de Cristo. A outra é o perdão: Jesus perdoou o aleijado, mesmo antes de curá-lo. Para vencermos como igreja, temos que ajudar uns aos outros, motivando, exortando, auxiliando e perdoando. Esse é o Pastoreio com Excelência.

Não Pare! Estamos todos juntos nesta Família de Pastoreio Excelente!

Um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: Esforça-te!” (Is 41:6).

Ev. Elias Codinhoto.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Efeito em Cadeia

“... o Senhor nos ajudará nisto, porque para o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos”.

1 Samuel 14:6b

Era um exército um tanto estranho, os poucos soldados que não fugiram com medo do inimigo eram cerca de seiscentos homens (1Sm 13:15) e, ao invés de espadas e lanças, os soldados traziam enxadas, machados e foices, pois não havia nenhum ferreiro na terra de Israel, somente o Rei Saul e seu filho Jônatas traziam espadas (1Sm 13:19-22). O inimigo, porém, tinha três mil carros de guerra, seis mil cavaleiros e tantos soldados quanto a areia que está à beira-mar (1Sm 13:5). Não é de se admirar que os homens de Saul o abandonassem. Os israelitas perceberam que estavam sem saída e numa situação muito difícil. Alguns se esconderam em cavernas e em buracos, e outros, entre rochas, em túmulos e em poços. Outros ainda atravessaram o rio Jordão e foram para as terras de Gade e de Gileade. Saul ficou em Gilgal, e os soldados tremiam de medo (1Sm 13:6-7).

Foi em meio a esse cenário que Jônatas e seu escudeiro resolveram fazer a parte deles, ainda que parecesse pequena diante de uma situação catastrófica. Havia uma guarnição de soldados inimigos, para Jônatas passar por ela tinha que atravessar entre dois penhascos, um se chamava Bozez (excessivamente branco), o outro, Sené (espinhoso). Jônatas sabia que “para o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos”, então buscou ao Senhor, e entendeu que Deus lhes daria vitória. Diante disso, Jônatas disse a seu escudeiro: “Siga-me; o Senhor os entregou nas mãos de Israel”. Ele escalou o penhasco, usando as mãos e os pés, e o escudeiro foi logo atrás. Jônatas derrubava os soldados e seu escudeiro os matava. Naquele primeiro ataque, eles mataram cerca de vinte homens (1Sm 14:6-14). A Bíblia não define em qual dos penhascos os soldados estavam, mas acredito que estavam no Sené, afinal, Sené significa “espinhoso”. A primeira vista, aquela vitória não significava muito diante de um exército tão grande, porém a atitude de Jônatas criou um “efeito em cadeia”. A Bíblia descreve que caiu um terror sobre todo exército dos filisteus. O chão tremeu e houve um pânico terrível. As sentinelas de Saul viram que o exército dos filisteus se dispersava, correndo em todas as direções. Saul quis trazer a arca de Deus para a batalha, mas percebeu que o tumulto no acampamento filisteu ia crescendo cada vez mais. Na mesma hora o rei Saul e todos os seus soldados se reuniram e foram para a batalha. O efeito em cadeia, causado pela disposição de Jônatas em lutar, mesmo diante de uma situação terrível, foi tomando proporções gigantescas; os filisteus estavam em total confusão, ferindo uns aos outros com suas espadas. Alguns hebreus que antes estavam do lado dos filisteus e que com eles tinham ido ao acampamento filisteu, passaram para o lado dos israelitas. Quando todos os israelitas que haviam se escondido nos montes de Efraim ouviram que o inimigo batia em retirada, também entraram na batalha, perseguindo-os. Assim o Senhor concedeu vitória a Israel naquele dia, e a batalha se espalhou para além de Bete-Ávem (1Sm 14:15-23).

Vimos o posicionamento de apenas dois homens criar um efeito em cadeia capaz de garantir a vitória ao povo de Deus, bastou eles concentrarem suas forças em sua tarefa, que a princípio parecia pequena diante da grande dificuldade, cada um fazendo a sua parte teve um peso enorme em todo processo.

Conta-se que: certo dia houve um incêndio na floresta, e todos os animais se puseram em fuga. Todos… exceto o beija-flor. Que ia e voltava, ia e voltava, trazendo uma gota de água no bico, que deixava cair sobre as labaredas e a terra abrasada. E, quando um dos animais em fuga o interpelou, dizendo ser impossível extinguir o fogo daquele modo, o beija-flor respondeu: “Eu sei que não são estas gotas que vão apagar o fogo, mas eu faço a minha parte…”, então o leão que era o rei da floresta disse: “para de ser bobo beija flor! Como vai apagar um incêndio desta proporção com uma gota de água?”, então o beija flor respondeu: “Se todos derem a sua contribuição o incêndio vai se apagar”.

“Faça a sua parte”, ensina o conto. Não desanime em ver problemas enormes em nosso país, nossa igreja ou em nossas famílias. Apenas faça sua parte, quem sabe não é sua ação que criará o efeito em cadeia que nos levará a vitória!

Existirão sempre opções em nossas vidas, decisões para tomarmos, barreiras para transpormos. Jônatas encontrou o penhasco “Bozez”, excessivamente branco, sem barreiras, o caminho da fuga, e também o penhasco “Sené”, espinhoso, onde estava o inimigo, em direção a batalha, em direção a vitória! Você é quem escolhe “porque para o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos”.

Ev. Elias Codinhoto.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Rio Jordão.

“No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”

(João 7:37)

O Jordão é um importante rio da Terra Santa, formando a fronteira natural entre Israel e a Jordânia. É um acidente geográfico que fica situado na Palestina e liga o Mar da Galiléia ao Mar Morto. Muitos Profetas, Reis, Faraós, Sacerdotes, povos e exércitos o atravessaram. Ali João Batista pregava o arrependimento, nele Jesus foi batizado, Josué, Elias e Eliseu o atravessaram sem molhar os pés e Naamã foi curado da lepra.

Suas nascentes então situadas na encosta do monte Hermon. Quando desemboca no Mar Morto, seu curso fica a 390 metros abaixo do nível do mar. Com cerca de 190 Km é uma das maiores fontes de água de Israel. No seu trecho final, corre entre margens desérticas. E quem vem do deserto obrigatoriamente terá que atravessá-lo para chegar a Canaã, a “Terra Prometida”. Você vem do deserto? – então terá que passar o “rio”!

O rio Jordão tem profundidade média de 1 a 3 metros e largura de 30 metros, mas na travessia, registrada no livro de Josué, capítulo três, estava quase sessenta vezes mais largo, algo como dois quilômetros. Era primavera, chove bastante nesta época, faz muito calor, e a neve das montanhas está derretendo. Muita água está sendo despejada no Jordão. O rio está transbordando, Josué 3:15b diz: “porque o Jordão transbordava todas as suas ribanceiras durante todos os dias da sega”. Às vezes, o momento que Deus reserva para tomarmos posse de nossas bênçãos é um dos momentos dos mais difíceis de nossa vida, como se fosse o teste final de nossa fé. Comumente, há diversos lugares onde é fácil atravessar o rio, mas agora, há uma corrente rugidora e não há como alcançar o outro lado do rio. O povo de Israel estava acampado diante de um rio violento, um rio furioso, de uma margem a outra era distante, não havia ponte, não havia barcos. Os inimigos não esperavam que Israel pudesse passar o Jordão, as águas degeladas avolumavam o rio de tal forma, que eles achavam que ninguém conseguiria atravessá-lo, nem com as embarcações da época, quanto mais a pé!

Jordão significa “aquele que desce” ou “lugar onde se desce”. Isso me trás a mente duas passagens bíblicas, a primeira se refere à Zaquel, o cobrador de imposto, que após subir em uma árvore para ver Jesus, devido sua baixa estatura, é surpreendido pelo convite de Cristo: “...Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa.” (Lc 19:5), a outra, está registrada em Efésios 4:10 “Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas”. Permita-me fazer do rio Jordão uma alusão a Cristo:

De um lado está à Terra Prometida, do outro lado o deserto, fora da promessa. Em uma margem o Reino de Deus, na outra o reino do mundo. Jesus diz assim no evangelho de João: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (14:6). Ele abriu o caminho para que pudéssemos entrar na promessa, por sua graça temos acesso ao Reino dos Céus. Para o povo de Israel poder atravessar, o rio deveria esvaziar-se, as águas ficariam retidas em uma extremidade e na outra escoaria. Vejam a semelhança: “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”. (Filipenses 2:6-8, grifo do autor). Todo seu sangue foi derramado na cruz do Calvário.

Muitos estiveram às margens do rio, inclusive eu! Por muito tempo vivi do lado de fora, algumas vezes entrei e saí, pois é possível entrar e sair no Reino dos Céus, como uma via de mão dupla. Deus percorreu o trajeto até a humanidade, abrindo o Caminho, agora, podemos trilha-lo em direção a Deus, ou retroceder. Confira João 10:9 “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem”, o texto diz: “entrará e sairá”. Jesus é a porta, e insiste para que entremos por Ele: “Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc 13:24), e por que não poderão entrar? Será que a porta é estreita ao ponto de não caber todo mundo? Será esse o contexto? - Veja o que diz o verso seguinte: “Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois” (v. 25). Podemos concluir que a porta não é estreita no sentido não caber tudo mundo, e sim por poder ser fechada e trancada rapidamente, de tal forma que não se pode abrir. A Bíblia nos diz que não basta pegar o Caminho, é preciso permanecer nele.Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 24:13).

A travessia do Jordão também significa mudança de atitude. A ocasião de atravessa-lo é sempre um momento de decisão, é tenso, é difícil, como ocorreu com o povo hebreu. As águas do rio Jordão eram “águas divisórias”, entre a posse da Terra Prometida ou o sonho desfeito. O apostolo Paulo narra à “travessia do Jordão” da seguinte maneira: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.” (Ef 4:28-32), e continua sua narrativa por toda carta aos Efésios, narrando a mudança, mostrando o que é ser uma nova criatura.

Uma mulher foi trazida até a margem do “Jordão”, estava fora da “terra”, pois sua vida estava manchada, ela foi pega no ato de adultério, os que a trouxeram clamavam: “morte!” – Mas o “Rio” se abriu e ela passou para a outra margem (João 8). “Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.” (v. 10-11). Mas, por que Jesus não condenou a mulher adultera? Ele era o único que podia fazer isso (v. 7), como afirmou o apóstolo Paulo: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2Co 5:21). Por que Jesus não a condenou? – No Evangelho de João encontramos a resposta: “E, se alguém ouvir as minhas palavras e não crer, eu não o julgo, porque eu vim não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” (Jo 12:47). Ele não veio julgar, mas veio salvar o mundo! Reparem que na absolvição vem com uma ordem: “vai e não peques mais”, isso é mais que o processo de mudança na travessia, é a força necessária para a mudança de vida, pois o “vai” de Cristo inclui o “estarei” contigo.

Em qual das margens você está? – Se está na margem oposta do “Rio” não perca tempo, passe para o lado de cá, aproveite enquanto a “Porta” está aberta. E para quem já atravessou o “Rio”, não tema o perigo, não tema o inimigo, você possuirá a terra prometida, descanse nesta palavra: “Sabe, pois, hoje, que o Senhor, teu Deus, que passa diante de ti, é um fogo que consome, e os destruirá, e os derrubará de diante de ti; e tu os lançarás fora e cedo os desfarás, como o Senhor te tem dito” (Dt 9:3). Aquele que prometeu é fiel para cumprir.

Ev. Elias Codinhoto

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Morrendo de sede ao lado do poço (Congresso Jubrac Sul – Parte Final)

O congresso foi encerrado em clima de grande celebração. Pela fé, festejamos a grande “pesca” que o Senhor dará, pois é impossível que nada aconteça. Durante dois dias de congresso, nosso clamor foi sempre o mesmo: “Dá-me almas” e, segundo a Palavra de Deus, temos a promessa: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão.” (Sl 2:8). Nossa confiança está sobre “... àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef 3:20-21).

Ao retornar ao hotel Tourist, assim que fechei a porta do quarto, como se fosse um sopro do Espírito, me ocorreu que poderia ser solicitado a ministrar no culto da noite, embora o congresso tivesse terminado. Apropriando-me das palavras do apóstolo Pedro: “Por esta razão, sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados acerca destas coisas, embora estejais certos da verdade já presente convosco e nela confirmados.” (2Pe 1:12), tratei de orar e preparar um esboço. Devemos estar sempre prontos para testificar da esperança que arde em nossos corações (1Pe 3:15). E como é maravilhoso estarmos sensíveis ao Espírito Santo, pois ocorreu exatamente assim, após o louvor, fui chamado a ministrar novamente.

“Tendo-se acabado a água do odre, colocou ela o menino debaixo de um dos arbustos e, afastando-se, foi sentar-se defronte, à distância de um tiro de arco; porque dizia: Assim, não verei morrer o menino; e, sentando-se em frente dele, levantou a voz e chorou. Deus, porém, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está. Ergue-te, levanta o rapaz, segura-o pela mão, porque eu farei dele um grande povo. Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água, e, indo a ele, encheu de água o odre, e deu de beber ao rapaz” (Gn 21:15-19)

Agar, a serva egípcia, provavelmente foi oferecida a Abraão como dote pelo próprio rei do Egito, quando ele, com medo de ser morto, se passou por irmão de Sara, e ela foi tomada à casa de Faraó. Porém o Senhor puniu Faraó e a sua casa com grandes pragas, e ele devolveu Sara a Abraão (Gn 12:16-20). Agar não teve escolha, ninguém a consultou antes de manda-la servir a um povo estranho, pois os escravos eram tratados como se fossem mercadorias. Assustada, teve de aprender a falar o hebraico praticamente na marra. Não foi fácil conviver com a saudade da família, ficar distante de quem ama. Ela teve de se adaptar, aprender a cultura, se acostumar com a comida, com as roupas, com a rotina. O ser humano sempre se adapta, alguns se acostumam tanto ao sofrimento, que não se lembram como era viver sem ele, se esquecem da felicidade, de ter alegria. Suas expressões faciais vão emoldurando tanto ao sofrimento, que quase não correspondem mais aos impulsos do cérebro para um sorriso.

Perdendo Sara toda a esperança de ter filhos, entregou Agar por mulher a Abraão, com um plano precipitado e mal concebido, de ser mãe através de sua serva. O que para Agar, foi o renascer da esperança, a grande oportunidade, se tornar esposa do patrão, o homem mais abastado daquela terra. As coisas agora estavam mudando, ela não teria mais que receber ordens, que ser humilhada, quem sabe até mudar alguns costumes, a mobília, suas roupas. E quando teve a certeza de que concebeu, desprezou a Sara, sua senhora (Gn 16:4). Como diz em Provérbios 30:21-23: “Sob três coisas estremece a terra, sim, sob quatro não pode subsistir: sob o servo quando se torna rei; sob o insensato quando anda farto de pão; sob a mulher desdenhada quando se casa; sob a serva quando se torna herdeira da sua senhora”. Mas ela se esqueceu de que o coração de Abraão pertencia a sua esposa, e ele deu a Sara total liberdade para proceder como achasse por bem. Ela humilhou Agar de tal forma, que ela não resistiu e desesperada, fugiu para o deserto. Frustrada e com medo de ser encontrada pelos outros servos, ela parou em um poço, apenas para apanhar um pouco d’água, e prosseguir em sua fuga. Ao se sentar para retomar o folego, sentiu a criança se mexendo em seu ventre, e o instinto materno começou fazer o seu trabalho. “Tenho que protegê-la, mas como fazer isso nesse deserto?” – Ela estava sozinha e apavorada. Você conhece bem esse sentimento, não é mesmo? – Ter os planos frustrados, ver a esperança se esvair, não ter para onde ir. Você também já fugiu. Tentou se afastar dos problemas, da dor, do sofrimento. Mas se viu sozinho e sem auxílio. Ninguém te vê, passam despercebidos por sua dor, seu sofrimento e sua angustia.

O Anjo do Senhor a encontrou junto à fonte de água no deserto e lhe disse: “Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas mãos.” (Gn 16). Ele também lhe fez promessas, disse que ela daria luz a um menino e que sua descendência seria incontável. Agar estava enganada, afinal, alguém estava olhando, contemplando sua dor. “Então, ela invocou o nome do Senhor, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?” (Gn 16:13). O Deus que vê está olhando para você neste momento, Ele conhece sua história, contempla sua dor, conhece seus questionamentos, e ouve sua oração. “Todos os dias” foi o que prometeu Jesus. Não alguns dias ou poucos momentos, mas todos os dias, a todo instante (Mt 28:20), Ele te fez promessas, e te diz: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jr 29:11). Agar obedeceu, voltou para sua senhora, e no tempo determinado deu a luz a Ismael.

Bem, adiantando a história, Agar, com o filho adolescente, está de malas prontas. Pois se cumpriu a promessa do Senhor Deus a Abraão, e Sara finalmente se tornou mãe, e, vendo ela que Ismael, filho da escrava, menosprezava Isaque, seu filho legítimo, pediu ao marido que os mandassem embora. Abraão ainda tentou intervir em favor deles, pois pareceu muito penoso aos seus olhos despedir seu filho. “Disse, porém, Deus a Abraão: Não te pareça isso mal por causa do moço e por causa da tua serva; atende a Sara em tudo o que ela te disser; porque por Isaque será chamada a tua descendência. Mas também do filho da serva farei uma grande nação, por ser ele teu descendente.” (Gn 21:12-13). Assim, o patriarca os envia ao deserto, apenas com um pouco de pão e um odre de água (v. 14).

Com o sol escaldante e o calor do deserto, não demorou muito para a água do odre e a esperança de Agar se esgotar por completo. Ela entregou os pontos e, não era a primeira vez que desistia de tudo, colocou o filho em baixo de uma árvore e se afastou para não vê-lo morrer. Algumas pessoas parecem não saber o que significa perseverança, desistem facilmente, abandonam seus sonhos, se esquecem das promessas e desistem ao primeiro sinal de oposição à suas vontades, elas abrem mão de seus planos e simplesmente se afastam. Agar, em uma ação egoísta, abondou o filho para não vê-lo morrer, ela pensou apenas em si mesma, tentando evitar o sofrimento de ver o filho em agonia de morte, mas o que isso representou a Ismael? O que ele desejava? Será que queria mesmo ficar sozinho na hora da morte? Ela não pensou nele. Até o mais experiente médico observaria, após estar presente nos momentos finais de muitos pacientes, que nenhum deles pedia para ver suas posses, seu carro, seu saldo bancário, porém, a maioria tinha o mesmo desejo, eles queriam ter pessoas ao seu lado na hora da morte, desejavam ver seus entes queridos. O amor verdadeiro não abandona na hora da dor (1 Co 13). Muitos se afastam dos que estão à beira da morte e dos que estão sofrendo, simplesmente viram as costas com a desculpa de que não suportam ver sofrimento. O menino abandonado representa nossos projetos, sonhos e pessoas que deixamos por achar que vão “morrer”, que não vão dar certo, ou por não termos recursos e/ou capacidade.

Certa vez, minha querida esposa, ao preparar uma de suas magníficas guloseimas, acabou adicionando por engano, creme de leite na receita. Eu, que como sempre, estava ansioso para degustar um pudim de leite condensado, fiquei rodeando pela cozinha na expectativa de ser agraciado com algum dos ingredientes, para poder suportar toda ansiedade de um apetite voraz por guloseima, até que o pudim ficasse pronto. Porém, ao perceber que tinha adicionado creme de leite no lugar do leite por engano, ela simplesmente desistiu de fazer o pudim. Eu precisava fazer alguma coisa, ela não podia desistir, não àquela altura, pois eu já estava psicologicamente preparado para saborear o pudim. Então, como qualquer esposo deve fazer para continuar desfrutando de guloseimas, eu sabia meu papel, incentiva-la a terminar aquela maravilhosa obra de arte. – “Querida! De certa forma, creme de leite é leite, apenas acrescente leite e tudo ficará bem”. Argumentei. Para felicidade de todos, finalmente ela concordou, mas, por estar nervosa com a situação, ao invés de leite, acrescentou água. Ela ficou muito chateada, e agora estava mesmo resolvida a desistir. Eu tinha que agir rápido, pois a situação estava crítica, já se imaginou indo dormir sem sobremesa? – “Querida! Veja, o nome já diz ‘creme de leite’, se você acrescentou água, virou leite, está tudo certo, termine o preparo”. Com muita argumentação, finalmente a convenci a mandar o treco para o forno. Ufa! Achei que estava tudo correndo bem, mas, ao passar pela cozinha para observar o pudim (como faz um cachorro em frente a padaria, olhando os frangos assando), percebi que o forno estava desligado. Ela havia desistido. Abandonou o pudim, pois achou que não tinha condições de ficar bom e seria um desperdício gastar o gás para o preparo. Não acreditei no que estava vendo, aquela iguaria preciosa parecia dar os últimos suspiros. Imediatamente religuei o forno, pois ainda havia esperança para um esposo desesperado por guloseimas. Valeu o esforço, pois aquele foi o pudim mais fantástico que minha esposa já fez. Hoje em dia, ela dá a receita para suas amigas. Para nós ficou a seguinte lição: “o pudim sempre fica bom no final” (Rm 8:28). Quando as coisas parecem estar fora de controle, nos lembramos da “lição do pudim” e dizemos um ao outro: “Calma! o pudim sempre fica bom no final”.

De longe Agar chora, está tão aflita que só consegue ver o problema, sua mente não se foca em outra coisa. Ela já havia enfrentado o deserto antes, deveria se lembrar da experiência com Deus, mas só consegue ver o problema. Não é assim que fazemos? Focalizamos tanto nossos problemas que não enxergamos a solução, daí vem alguém que está de fora e diz: “porque não faz assim...”, e nos admiramos com a solução tão simples, estava tão perto, mas por estarmos focados no problema, não conseguíamos ver. Se não fosse o clamor de Ismael, provavelmente teriam morrido de sede ao lado de um poço. Deus ouviu o clamor do menino, diz o texto bíblico, e abriu os olhos de Agar para que enxergasse o poço de água. Note que não houve nenhum milagre, Deus não fez água brotar da rocha, apenas a fez enxergar o poço que estava ao seu lado todo o tempo. Quero dizer uma coisa a você, pela palavra de Deus e por experiência própria afirmo: “sempre haverá um poço”. Não desanime, pois Deus só permitirá que sua água acabe perto de um poço de água (1Co 10:13). Se só ficarmos olhando para o pote vazio, nunca enxergaremos o poço.

Minha esposa é uma pessoa maravilhosa, não conheço ninguém mais meiga e amável que ela. Uma mulher de fé. Embora algumas vezes se aflija nas adversidades, sempre que se acalma consegue achar ótimas soluções, ela sempre encontra um “poço de água”. Na verdade, ela é um precioso poço de águas cristalinas que o Senhor me ajudou a encontrar no deserto. Os poços que encontramos geralmente tem nome, o meu se chama Juliana, e o seu? Em todas as vezes que estive no deserto, sempre havia poços de água, é assim que o Senhor se manifesta a nós, através de pessoas, por meio de sua igreja, o corpo de Cristo. Em Samaria havia uma mulher que também estava morrendo de sede ao lado de um poço, ela ia até o poço todos os dias, e por mais que tirasse água dele todos os dias, nunca se saciava, sempre voltava ao poço, até que encontrou a Fonte Eterna (Jesus), a qual lhe disse: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.” (João 4:14).

Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. (Ap 7:16-17).

Não morra de sede ao lado do poço, busque em Jesus a água viva, pois por mais difícil que parece seu problema, Ele é a solução, e quer dar vida a seus sonhos, projetos, promessas e entes queridos.

Ev. Elias Codinhoto

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Chamado (Congresso Jubrac Sul – Parte 6)



“Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22:14)


Dez minutos de intervalo e já estávamos de volta. Desta vez a ministração estava por conta do Pr. Daniel, líder estadual da Jubrac. Logo ficou evidente que seus dons não se resumiam em liderança e ministração da palavra. Com uma voz maravilhosa começou a entoar louvores a Deus e, em um instante, o templo já estava cheio da glória de Deus novamente. O foco principal de sua mensagem foi sobre “chamado”. E agora?! Preocupei-me, pois esse foi o tema que preparei para mensagem de encerramento, será que deveria mudar o tema? Mas logo minhas preocupações se dissiparam, pois as palavras que o Espírito Santo me deu naquela manhã me atingiram como um raio: “se Deus fala uma vez é importante, se fala duas vezes é importantíssimo”. Então tive convicção que deveria manter o tema, pois Deus desejava enfatizar a ministração sobre “chamado”. Sendo assim, só me cabia relaxar, sendo alimentado pela regeneradora palavra Deus, que nos foi ministrada através da vida do Pr. Daniel, culminando em um ousado desafio aos jovens, que vieram à frente cheios de fé, ousados, vivificados, chamando à existência as coisas que não existem (Rm 4:17).


Após o almoço, o Pb. Felipe, líder da Jubrac local (meu anfitrião), me levou a um rápido tour pela cidade de Pelotas. Seus antigos casarões se contrastam com a paisagem moderna, como se lutassem para manter viva a pompa de seus primeiros colonizadores, os barões do charque. Muitos edifícios foram tombados e estão sendo reformados, entre eles, a prefeitura e a biblioteca, que já foram cuidadosamente revitalizadas. Os moradores se orgulham de serem guardiões de um dos primeiros teatros do Brasil. Ficarei devendo mais detalhes sobre a cidade, pois um telefonema interrompeu nosso passeio. Era a esposa do presbítero, ela esqueceu a chave do alojamento dentro do carro, e tivemos que voltar, pois os irmãos estavam ansiosos por um banho e uma boa soneca, pois ainda tínhamos a reunião de encerramento, programada para as 15 horas. E lá vamos nós, de volta ao hotel...



- O Chamado


“Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco em companhia de seu pai, consertando as redes; e chamou-os. Então, eles, no mesmo instante, deixando o barco e seu pai, o seguiram.” (Mt 18:22)


Trinta e dois mil homens haviam respondido ao chamado de Gideão (Jz 7), apesar de toda nação ter sido convocada a guerra. “Disse o SENHOR a Gideão: É demais o povo que está contigo, para eu entregar os midianitas nas suas mãos; Israel poderia se gloriar contra mim, dizendo: A minha própria mão me livrou. Apregoa, pois, aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for tímido e medroso, volte e retire-se da região montanhosa de Gileade. Então, voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram” (v. 2-3). O “chamado” é a coisa mais importante para alguém, é a razão de nosso viver. Assim como os primeiros discípulos, deixamos nossas antigas ocupações para nos dedicar ao chamado de Cristo. Submetendo-nos à sua vontade, seguimos para o campo de batalha, mas os covardes devem voltar, não há lugar para tímidos e medrosos nas fileiras do exército de Deus, pois como em epidemia, os covardes fazem derreter os corações de seus irmãos (Dt 20:8). Já percebeu que algumas pessoas parecem sugar a seiva da vida que há em nós? – Basta pouco tempo de conversa para nos sentirmos totalmente desanimados. Os melhores projetos parecem sucumbir diante dos “crentes Hard” (hiena melancólica, personagem de um antigo desenho animado): “Óh vida! Oh céus! Oh tristeza!”. Bom dia Sr. Hard – Não vejo nada de bom nele! – Tudo bem Sr. Hard? – Pra ser sincero, eu não estou bem não... “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22:14).


Gideão prossegue com apenas um terço da multidão. “Disse mais o SENHOR a Gideão: Ainda há povo demais; faze-os descer às águas, e ali tos provarei; aquele de quem eu te disser: este irá contigo, esse contigo irá; porém todo aquele de quem eu te disser: este não irá contigo, esse não irá.” (v. 4). Existe um ponto onde só podem passar os que foram chamados, por mais que alguns se esforcem, que desejem, é preciso ter o chamado, “E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.” (Jo 6:65). Alguns, por não entenderem esse princípio, se frustram tentando ser algo que não foram chamados para serem (v. 66), porém, os que são chamados não desistem, pois compreenderam que não existe outra opção (v. 68-69).


Gideão fez os homens descerem até às águas (v. 5). Os que têm o chamado precisam descer às águas, e para atravessá-las não basta ter uma boa conversa, nas águas as atitudes falam mais alto. O Senhor está observando seus atos, pois eles são decisivos na vida de quem tem o chamado. O chamado consiste em mudança de atitude, um aperfeiçoamento constante (Ef 4:28-32). Apenas um terço novamente é escolhido, desta vez, restam trezentos homens a Gideão, “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22:14).


Uma vez que reconhecemos o “chamado”, ele se torna garantia de vitória. Gideão e seus trezentos homens obtiveram vitória sobre os midianitas, mas durante a batalha passaram privações, os moradores de Sucote e Peniel negaram-lhes alimento (Jz 8:4-8). Nem todos apoiarão seu chamado, até alguns se negarão em ajudar e outros tentarão persuadi-lo a desistir. Jesus, sempre verdadeiro, nos advertiu: “Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo (Mt 10:22)”. Percebam que existe um segredo incutido nessas palavras, “perseverar”, perseverar até o fim nos garante a vitória, “Vindo Gideão ao Jordão, passou com os trezentos homens que com ele estavam, cansados, mas ainda perseguindo.” (v. 4). Muitos não puderam fazer parte dos trezentos, “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22:14).


Algumas pessoas acreditam que o “chamado” os envia, como se um pai que dá uma tarefa e depois o despede, para que vá cumprir, mas não é assim com o “chamado”, usando sentido literal da palavra, o “chamado” nos aproxima de Deus, Ele nos “chama” para perto de si. A escuridão nada mais é do que a ausência da luz, assim também, a morte é a ausência da vida. Eu disse a princípio que o “chamado” é a coisa mais importante na vida de uma pessoa, é porque ele nos conduz ao que nos foi furtado no Jardim do Éden, pois a advertência era: “mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn 2:17), o morrer aqui é a ausência da vida, ausência de Deus, nesse contexto a declaração de Cristo “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14:6), ganha mais brilho, pois Jesus declara ser o caminho, o acesso à Deus, e também à Vida, e reparem que Ele diz: “ninguém vem ao Pai”, Jesus não diz: “ninguém vai ao Pai”, ou seja, Ele é o caminho para si mesmo, o acesso à Vida. O “chamado” nos leva para o centro da vontade de Deus, e sua vontade é estar conosco: “E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.” (Jo 14:3). Estar no centro da vontade de Deus é o nosso desafio todos os dias, e o amor é a nossa motivação, Jesus nos disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”. (Jo14:23).


E você, sabe qual é o seu “chamado”?


Ev. Elias Codinhoto

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Por que devemos pescar? (Congresso Jubrac Sul – Parte 5)

(João 21:1-17)

Manhã de domingo. Eu despertei cedo, exatamente às 6 horas já estava preparando o banho, precisava afastar o cansaço, tomar o café e voltar ao congresso. Enquanto me arrumava, percebi que alguns raios de sol começavam a forçar passagem pelas pequenas frestas na janela. Com a correria, ainda não tinha tido tempo de examinar o local, minhas passagens pelo hotel Tourist se resumiam a banho, troca de roupa, oração, leitura, e o sono da noite anterior. Como que respondendo a um convite, fui até a janela, e para meu espanto, ao abri-la, vi o lindo nascer do sol. O cenário era deslumbrante, havia um imenso gramado que se estendia da minha janela até tocar timidamente a margem da represa, que, apesar de tão grande, eu nem havia me dado conta que estava ali. A luz alaranjada do alvorecer refletia entre os galhos de uma árvore solitária no meio do gramado, criando um cenário fabuloso, que prendeu atenção por alguns instantes. Após um generoso café da manhã, me senti atraído para uma conversa com Deus em meio aquela paisagem. Senti que Ele me dizia: “Eu te amo muito! Nunca estará sozinho, pois Eu sou contigo!”. Talvez o cenário à sua volta não seja o mesmo que vislumbrei naquela manhã em Pelotas (RS), mas Deus também te convida para uma conversa a sós, Ele precisa te dizer algo muito importante: “Eu te amo muito! Nunca te abandonarei, onde quer que esteja...” (Jo 3:16 e Mt 28:20).

Retomando o tema do congresso: “Dá-me almas”, e o texto base: “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Mt 4:19). Diante do que temos exposto sobre “pescar” (ganhar almas para Deus), pergunto: “Por que devemos pescar?”. Por que devemos deixar de nos dedicar unicamente à nossa vida e nos desgastar, sendo rejeitado, questionado, humilhado e maltratado, na esperança de convencer outros do Amor de Cristo?

“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:15-17)

Começaremos refletindo sobre os tipos de “amor” no Grego Antigo:

Eros (Amor Romântico) – É o Amor da Paixão, dos namorados, dos sentimentos e sensações. De onde deriva as palavras “erótico e erotismo”, o eros está principalmente ligado a atração física, beleza, aromas, toques, desejos e fantasias. Por estar baseado nesses fatores, o eros tende a acabar rapidamente, uma vez obtido o que se deseja. Às vezes o sentimento se torna até repulsivo, como exemplificado no sentimento que Amnom sentiu por sua meia-irmã Tamar, registado em 2 Samuel, capítulo 13. Aminom, após violentar sua irmã, a põe para fora nua e fecha a porta (v. 15-17). Essa história se repete inúmeras vezes, quantas garotas passaram por isso? Seduzidas por declarações e promessas, são levadas ao sexo ilícito, ou até mesmo violentadas, mas, uma vez consumado o ato, são abandonadas como mercadoria estragada. Quantos casamentos foram violados pelos sentimentos mal administrados do eros? – Quantos lares desfeitos? – A fantasia carnal, que sempre termina em dor e sofrimento.

Phileo (Amor Recíproco) – É o Amor da Amizade (Amor Condicional). A palavra “filantropia” que vem do grego (filós+ântropos) significa “amigo do ser humano, da raça humana” (amor pela humanidade/homem genérico). Filantropia e Filadélfia (Ap 3:7) são a mesma palavra no original. Esse tipo de amor foi vivido com muita intensidade entre Jônatas e Davi (1Sm 18:1 e 2Sm 1:26), e, infelizmente mal interpretado por mentes malignas e maliciosas que distorcem esse sentimento para que pareça algo pervertido, esses porém, serão julgados por suas próprias conjecturas (Mt 5:19). A amizade autêntica está caindo em desuso, o medo de ser traído, machucado ou explorado, tem feito muitos se apartarem de amizades (Pv 16:28), contudo, quem conquista amigos autênticos descobre tesouros (Pv 18:24). Jesus foi ferido por seus “amigos” (Zc 13:6), no entanto, isso não o impediu de preservar amizades até as ultimas consequências (Jo 15:13), e de valorizá-las com um alto grau de intimidade (v. 15).

Storgé (Amor Fraterno) – É o Amor da Família (amor de irmãos), da convivência, como no lar de Lazaro, Marta e Maria. Infelizmente, esse tipo de amor também tem se deturpado, se tornado egoísta, se esvaído, como um sinal de alerta, proclamando que está próximo o fim, trazendo à mente as palavras de Cristo: “E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai, o filho; e os filhos se levantarão contra os pais e os matarão.” (Mt 10:21).

Todos esses tipos de amor são limitados, incompletos, de pouca duração. Mas quero falar ainda de outro tipo de amor...

Ágape (Amor Incondicional) – Esse é o Amor de Pai para filho, o amor sem medidas, descrito em 1 Coríntios 13, o Amor de Deus, revelado em João 3:16 “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. O amor que se volta ao próximo, que se foca mais em dar do que receber. Sem se importar com as recusas ama, busca, se importa, cuida... “não busca seus interesses... tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Co 13:5, 7). Entretanto, mesmo o ágape tem sido arrefecido no intimo de muita gente, em exclamação ao Texto Sagrado registrado em Mateus 24:12 “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor (ágape) de muitos se esfriará.” (grifo do autor).

Por que devemos pescar?! Por que amar? Por que nos doar em favor de outros?

Você já reparou que muitos casamentos parecem entrar em crise logo nos primeiros momentos de convivência mutua. O que acontece depois de dizer sim? – O que começa com uma paquera, cresce no namoro, aumenta no noivado, se expande até o casamento, parece decair no exato momento que dizemos “sim”. O que termina? – A resposta é “a conquista”. Quando dizem “sim” no altar, principalmente os homens, são invadidos pelo “sentimento de posse”, como se já fossem donos e não houvesse mais nada a fazer. “Já passei para o meu nome”, como exclamam alguns. Acaba-se a conquista, não é mesmo?! Afinal, estamos casados. Para que nos dedicarmos mais? Não bastaram as flores que dei no namoro, o cortejo, os passeios, as palavras bonitas... E a lua de mel?! Custou uma grana preta! Não preciso mais dizer que a amo, ela já sabe! (será?). Veja o conselho de Pedro, o pescador de almas: “Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações.” (1 Pe 3:7). “Vaso mais fraco”, sabe o que quer dizer? – Quer dizer que as mulheres precisam de “reafirmação”, precisam ouvir muitas vezes: “Eu te amo!”. E não se resume em palavras. O Dr. Gary Chapman, um dedicado pastor, que estudou por muitos anos o que chamou de “linguagens de amor”, identificou que os seres humanos entendem o amor de cinco maneiras diferentes: Palavras de Afirmação (elogios), Tempo de Qualidade, Presentes, Atos de Serviço e Toque Físico. Em seu livro “As Cinco Linguagens do Amor” ele explica:

Palavras de Afirmação – É o tipo de linguagem onde as pessoas entendem o amor através de expressões verbais. Elas necessitam ouvir que são amadas, que são estimadas, que são importantes e que têm valor. Provérbios 18:21 diz: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”. Como se sente ao ouvir algo do tipo: “Você ficou elegante com este terno” – “Você ficou ótima com este vestido” – “Você fez um ótimo trabalho” – “O jantar estava delicioso”. Talvez para você seja apenas palavras, mas para algumas pessoas isso é “amor”. Imagine seu chefe dizendo as seguintes palavras após você concluir um trabalho: “Vi como se esforçou para realizar este projeto e quero que saiba que valorizo sinceramente aquilo que fez...”. As palavras tem poder, saber utiliza-las como forma de amor chega a ser um dom, quantas pessoas, contudo, foram feridas por palavras (Rm 3:13, Tg 3), mas, como em uma via de duas mãos, muitas foram restauradas por palavras de sabedoria (Sl 37:30, 68:11, Is 52:7). Quando Jesus perguntou se seus discípulos queriam deixa-lo, como fazia a multidão, Pedro respondeu de pronto: “... Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;” (Jo 6:68). Retomo as palavras do sábio rei Salomão, que inspirado pelo Espírito Santo declarou: “A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra.” (Pv 12:25).

Tempo de Qualidade – Significa dar à outra pessoa nossa atenção exclusiva. Para uma criança pequena: é sentar-se com ela ao chão e brincar de bola, para o cônjuge: é sentar-se no sofá e olhar em seus olhos enquanto conversam... Atenção exclusiva, passar tempo com alguém que amamos. Como escreveu Max Lucado: “crianças soletram amor com cinco letras – t-e-m-p-o”.

Presentes – Dar presentes é uma expressão universal de amor. Para o que tem esse tipo de linguagem, os presentes não precisam necessariamente ser caros – “estava pensando em mim, veja só o que comprou”. Eles expressam a quem os recebe que são valorizados e amados. Reparem como desembrulham o pacote com todo cuidado para não rasgar o papel. Tem pessoas que guardam presentes em suas embalagens por muito tempo, para que não se estraguem, alguns nem ao menos os usam, não porque não tenham gostado, mas por desejarem prolongar o sentimento de amor pelo qual foram envolvidos ao receberem.

Gestos de Serviço – Como expressa um antigo ditado: “O que você faz fala mais alto do que o que você diz”. Realizar algo que você sabe que a outra pessoa gostaria que fizesse é uma expressão de amor. Quando falo em “gestos de serviço”, não consigo pensar em exemplo melhor do que o da mulher pecadora, registrado no Evangelho de Lucas. Ela ungiu a cabeça de Jesus com seu melhor perfume, lavou seus pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos (Lc 7:36-50). O Mestre reconheceu a atitude daquela mulher como a demonstração abundante de amor (v. 47). Ajudar em casa, no trabalho, na igreja, até mesmo em pequenas tarefas, pode ser uma boa oportunidade de expressarmos amor. Estender a mão ao aflito, servir ao próximo, doar-se, foram atitudes que marcaram a vida de Tabita (At 9:36-42) e, por sua demonstração de tipo de amor, Pedro comovido, roga a Deus, que lhe devolve a vida.

Toque Físico – Há ainda, aqueles que entendem o amor através do toque suave das mãos em forma de carícias, de abraços e beijos, Paulo enfatizou este ultimo em sua epistolas (Rm 16:16, 1Co 16:20, 2Co 13:12 e 1Ts 5:26), e Pedro o chamou de “osculo de amor” (1Pe 5:14). Quem não gosta de um bom cafuné? E que tal uma massagem? – Os grandes amantes do toque físico são chamados de sinestésicos – Gostam de conforto, abraços, beijos, e até mesmo um aperto de mãos, pode fazer toda diferença. Embora alguns achem chato o momento em que alguém do púlpito pede para abraçar a pessoa ao lado, existem aqueles que estão tão carentes de contato humano, que esperam ansiosos por chegar o domingo, para poder receber um abraço afetuoso de um irmão. Certa vez um irmão de minha igreja testemunhou, depois de ter passado um momento muito difícil, que os abraços que recebia na igreja, deram-lhe forças para atravessar tal dificuldade. Ficou com vontade de abraçar alguém? Então faça isso, pois essa pessoa pode estar com o “tanque emocional” totalmente vazio.

Mantenha cheio o “tanque emocional” de quem ama! Pratique as linguagens de amor. Descubra com qual se identifica mais, e também a linguagem de seus familiares, de seus irmãos, de seu próximo. Ministre amor, reparta com as pessoas, não te custa! Mas pode fazer toda diferença na vida de alguém.

Por que devemos pescar?!

Vamos voltar à história do pescador (não disse história de pescador). Para entender o diálogo entre Jesus e Pedro (João 21:15-17), precisamos relembrar um pouco a história. Em Mateus 4:19, Pedro é desafiado a largar tudo e seguir a Jesus, a proposta sugeria uma mudança de “profissão”, deixar os peixes e se dedicar às pessoas: “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”. Simão atende de pronto, abandona as redes, o barco e tudo mais, como ele mesmo declarou: “Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?” (Mt 19:27), eu o convido a refletir mais tarde na resposta de Jesus (Mt 19:28-29), mas por hora vamos seguir com Pedro, que parecia o mais convicto dos discípulos, pois mesmo quando o discurso de Cristo se tornou duro, revelando todo o sofrimento que passaria, o pescador insistia em segui-lo: “Então, Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão. [...] Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.” (Mt 26:33). Jesus joga um “balde de água fria” em Pedro com esta declaração: “Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás.”, mas ele persiste: “Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo”. O pescador parece muito seguro em suas afirmações de fidelidade ao Mestre. Lucas registrou a seguinte afirmação de Pedro: “... Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte.” (Lc 22:33). Foi também o doutor Lucas quem registrou, alguns versos a frente, detalhes do momento em que Pedro negou Jesus: “Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.” (v. 61). Acredito que olhar de Cristo penetrou na alma de Simão como uma espada aguda e afiada, cortando a carne a sua volta e deixando uma ferida aberta. Pedro chorou amargamente (v. 62), pois não era somente a dor de tê-lo negado, era também a dor da vergonha, da impotência, da mentira, a dor do fracasso, pois ele sabia que Jesus, o Mestre a quem jurou fidelidade, conhecia sua fraqueza e não ignorava seu erro.

Talvez seja esse tipo de dor que te destrói. Noite após noite é sua única companheira. Ela ressurge assim que as luzes se apagam, não o deixa dormir. Você errou, grita ela te apontando o dedo indicador. E ao buscar refúgio em sua consciência, as únicas palavras que encontra são: fracasso, fraqueza, incompetência, irresponsabilidade, inutilidade, culpa! Quem sabe não foi esse o motivo que o fez retroceder, assim como Pedro (Jo 21:3). O fez voltar à antiga vida, aos vícios, a pornografia, a mentira, a dor, a morte. Acredito que você entenda porque Pedro voltou a pescar peixes, talvez você também não tenha jeito pessoas, quem sabe as tenha magoado, e agora se esconde, não quer encontra-las, não quer nem mesmo se encontrar com Cristo, não por que não o ame, mas pela vergonha de tê-lo negado. Então você, mais que ninguém, entenderá porque Jesus foi até a praia, pois sabe bem, que alguém nessas condições não tem forças para seguir adiante. Mas Ele foi até Pedro, exatamente como naquela noite em que caminhou sobre as ondas. O vento soprava forte, as ondas eram contrárias, os discípulos não conseguiam remar em direção à praia, mas Ele veio, caminhando tranquilo sobre as ondas (Mt 14, MC 6 e Jo 6), tão sereno como está agora, caminhando em sua direção, sussurrando seu nome. Ouça sua voz suave, ignore por um instante o barulho do mar, não dê atenção às roupas molhadas pela forte chuva, procure não deixar que o frio roube sua consciência. Dessa do barco, como fez Pedro e caminhe sobre as ondas. Então vai ouvir claramente sua voz chamando seu nome, sentirá o calor de sua presença aquecendo sua alma e trazendo-o de volta à vida.

Simão! É Jesus quem está na praia...

Pedro não esperava vê-lo, nem achou que viria, não depois de tê-lo negado. Surpreso se lança ao mar, tentando se esconder, pois estava nu. A nudez de Simão não era somente física, pois todos conheciam seu erro, sabiam de sua dor, de seu fracasso. Ele não conseguiu manter sua a palavra. Pode ser que se identifique com ele, sem poder manter a sua palavra, sem cumprir promessas, sem estar presente quando disse que estaria. Mas Jesus veio encontra-lo, veio cura-lo, veio liberta-lo da culpa e da dor.

Por que devemos pescar?!

Vamos entender melhor o dialogo entre eles, ressaltando as formas de amor no contexto original:

“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me (ágape) mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo (phileo). Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros.” (João 21:15)

Reparem que Jesus pergunta no ágape, e ainda acrescenta: “mais do que esses outros”. Ou seja, Ele pergunta se Pedro o ama incondicionalmente, mas ele só consegue responder no phileo, é como se Jesus dissesse: “você me ama?” e Pedro respondesse: “eu gosto de você”. Esses detalhes não são perceptíveis na tradução que possuímos, pois nosso vocabulário limitado só tem uma forma de escrever a palavra “amor”, embora tenhamos consciência que existem vários níveis.

“Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas (ágape)? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo (phileo). Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas.” (João 21:16)

O Mestre volta a perguntar no ágape, porém desta vez não enfatiza: “mais do que esses outros”, e Pedro mais uma vez responde no phileo, como se não conseguisse afirmar seu amor ao Mestre, sua autoestima foi afetada, não conseguia se apoiar sobre as pernas de sua consciência. Ele colocou sobre os ombros o pesado fardo da culpa, e não permitiria perdoar-se, não sem luta, não sem a grande batalha em seu interior, que por mais que tentasse vencê-la, a culpa persistia em ressurgir das cinzas. E Jesus insiste:

“Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas (phileo)? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas (phileo)? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo (phileo). Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:17)

Agora podemos entender porque Pedro se entristeceu tanto com a pergunta de Cristo. Reparam que dessa vez Ele pergunta no phileo, como se quisesse descer ao nível do amor de Simão para resgatá-lo. Por mais que Pedro imaginasse ter pouco, ou quase nada a oferecer, Jesus lhe dizia: “me entregue o que tem”. Deixe-me Fazer! Como aquela pobre viúva que vai a procura do profeta Eliseu (2Rs 4), ela só tinha um pouco de azeite, mas com a intervenção de Deus, foi o suficiente para pagar a divida, salvando seus filhos e garantindo o seu futuro. Jesus mudou a linguagem para alcançar Pedro, descendo até onde ele estava (Fp 2:5-8). Talvez você se sinta muito fraco, mas isso não é problema, veja o que o apostolo Paulo descobriu: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2 Co 12:10). Então se levante, junte a pouca força que lhe resta, “Forjai espadas das vossas relhas de arado e lanças, das vossas podadeiras; diga o fraco: Eu sou forte.” (Joel 3:10). Quando Paulo se queixou da dor (espinho na carne) que não o deixava, “Então, Ele (Jesus) me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.” (2 Co 12:9).

Por que devemos pescar?!

Quando Deus nos diz algo, isso é importante, quando Ele repete, é importantíssimo, e como devemos considerar quando o Senhor repete mais uma veze. Por três vezes Jesus perguntou: ...tu me amas? - E em cada resposta, afirmava: Apascenta os meus cordeiros, pastoreia as minhas ovelhas, apascenta as minhas ovelhas... Ou seja: Você me ama? Então cuide! – Jesus literalmente diz: “junte todo amor que tem por mim e canalize-o na cuidado ao próximo”, como afirmando: “Eu sentirei seu amor através das pessoas”.

“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. [...] Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado.” (1 João 4:7-8 e 11-12).

Por que devemos pescar? – Porque Ele nos amou primeiro (v. 19)

“Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (v. 20)

Ev. Elias Codinhoto