domingo, 30 de janeiro de 2011

O Rio Jordão.

“No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”

(João 7:37)

O Jordão é um importante rio da Terra Santa, formando a fronteira natural entre Israel e a Jordânia. É um acidente geográfico que fica situado na Palestina e liga o Mar da Galiléia ao Mar Morto. Muitos Profetas, Reis, Faraós, Sacerdotes, povos e exércitos o atravessaram. Ali João Batista pregava o arrependimento, nele Jesus foi batizado, Josué, Elias e Eliseu o atravessaram sem molhar os pés e Naamã foi curado da lepra.

Suas nascentes então situadas na encosta do monte Hermon. Quando desemboca no Mar Morto, seu curso fica a 390 metros abaixo do nível do mar. Com cerca de 190 Km é uma das maiores fontes de água de Israel. No seu trecho final, corre entre margens desérticas. E quem vem do deserto obrigatoriamente terá que atravessá-lo para chegar a Canaã, a “Terra Prometida”. Você vem do deserto? – então terá que passar o “rio”!

O rio Jordão tem profundidade média de 1 a 3 metros e largura de 30 metros, mas na travessia, registrada no livro de Josué, capítulo três, estava quase sessenta vezes mais largo, algo como dois quilômetros. Era primavera, chove bastante nesta época, faz muito calor, e a neve das montanhas está derretendo. Muita água está sendo despejada no Jordão. O rio está transbordando, Josué 3:15b diz: “porque o Jordão transbordava todas as suas ribanceiras durante todos os dias da sega”. Às vezes, o momento que Deus reserva para tomarmos posse de nossas bênçãos é um dos momentos dos mais difíceis de nossa vida, como se fosse o teste final de nossa fé. Comumente, há diversos lugares onde é fácil atravessar o rio, mas agora, há uma corrente rugidora e não há como alcançar o outro lado do rio. O povo de Israel estava acampado diante de um rio violento, um rio furioso, de uma margem a outra era distante, não havia ponte, não havia barcos. Os inimigos não esperavam que Israel pudesse passar o Jordão, as águas degeladas avolumavam o rio de tal forma, que eles achavam que ninguém conseguiria atravessá-lo, nem com as embarcações da época, quanto mais a pé!

Jordão significa “aquele que desce” ou “lugar onde se desce”. Isso me trás a mente duas passagens bíblicas, a primeira se refere à Zaquel, o cobrador de imposto, que após subir em uma árvore para ver Jesus, devido sua baixa estatura, é surpreendido pelo convite de Cristo: “...Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa.” (Lc 19:5), a outra, está registrada em Efésios 4:10 “Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas”. Permita-me fazer do rio Jordão uma alusão a Cristo:

De um lado está à Terra Prometida, do outro lado o deserto, fora da promessa. Em uma margem o Reino de Deus, na outra o reino do mundo. Jesus diz assim no evangelho de João: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (14:6). Ele abriu o caminho para que pudéssemos entrar na promessa, por sua graça temos acesso ao Reino dos Céus. Para o povo de Israel poder atravessar, o rio deveria esvaziar-se, as águas ficariam retidas em uma extremidade e na outra escoaria. Vejam a semelhança: “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”. (Filipenses 2:6-8, grifo do autor). Todo seu sangue foi derramado na cruz do Calvário.

Muitos estiveram às margens do rio, inclusive eu! Por muito tempo vivi do lado de fora, algumas vezes entrei e saí, pois é possível entrar e sair no Reino dos Céus, como uma via de mão dupla. Deus percorreu o trajeto até a humanidade, abrindo o Caminho, agora, podemos trilha-lo em direção a Deus, ou retroceder. Confira João 10:9 “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem”, o texto diz: “entrará e sairá”. Jesus é a porta, e insiste para que entremos por Ele: “Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc 13:24), e por que não poderão entrar? Será que a porta é estreita ao ponto de não caber todo mundo? Será esse o contexto? - Veja o que diz o verso seguinte: “Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois” (v. 25). Podemos concluir que a porta não é estreita no sentido não caber tudo mundo, e sim por poder ser fechada e trancada rapidamente, de tal forma que não se pode abrir. A Bíblia nos diz que não basta pegar o Caminho, é preciso permanecer nele.Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 24:13).

A travessia do Jordão também significa mudança de atitude. A ocasião de atravessa-lo é sempre um momento de decisão, é tenso, é difícil, como ocorreu com o povo hebreu. As águas do rio Jordão eram “águas divisórias”, entre a posse da Terra Prometida ou o sonho desfeito. O apostolo Paulo narra à “travessia do Jordão” da seguinte maneira: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.” (Ef 4:28-32), e continua sua narrativa por toda carta aos Efésios, narrando a mudança, mostrando o que é ser uma nova criatura.

Uma mulher foi trazida até a margem do “Jordão”, estava fora da “terra”, pois sua vida estava manchada, ela foi pega no ato de adultério, os que a trouxeram clamavam: “morte!” – Mas o “Rio” se abriu e ela passou para a outra margem (João 8). “Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.” (v. 10-11). Mas, por que Jesus não condenou a mulher adultera? Ele era o único que podia fazer isso (v. 7), como afirmou o apóstolo Paulo: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2Co 5:21). Por que Jesus não a condenou? – No Evangelho de João encontramos a resposta: “E, se alguém ouvir as minhas palavras e não crer, eu não o julgo, porque eu vim não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” (Jo 12:47). Ele não veio julgar, mas veio salvar o mundo! Reparem que na absolvição vem com uma ordem: “vai e não peques mais”, isso é mais que o processo de mudança na travessia, é a força necessária para a mudança de vida, pois o “vai” de Cristo inclui o “estarei” contigo.

Em qual das margens você está? – Se está na margem oposta do “Rio” não perca tempo, passe para o lado de cá, aproveite enquanto a “Porta” está aberta. E para quem já atravessou o “Rio”, não tema o perigo, não tema o inimigo, você possuirá a terra prometida, descanse nesta palavra: “Sabe, pois, hoje, que o Senhor, teu Deus, que passa diante de ti, é um fogo que consome, e os destruirá, e os derrubará de diante de ti; e tu os lançarás fora e cedo os desfarás, como o Senhor te tem dito” (Dt 9:3). Aquele que prometeu é fiel para cumprir.

Ev. Elias Codinhoto

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Morrendo de sede ao lado do poço (Congresso Jubrac Sul – Parte Final)

O congresso foi encerrado em clima de grande celebração. Pela fé, festejamos a grande “pesca” que o Senhor dará, pois é impossível que nada aconteça. Durante dois dias de congresso, nosso clamor foi sempre o mesmo: “Dá-me almas” e, segundo a Palavra de Deus, temos a promessa: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão.” (Sl 2:8). Nossa confiança está sobre “... àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef 3:20-21).

Ao retornar ao hotel Tourist, assim que fechei a porta do quarto, como se fosse um sopro do Espírito, me ocorreu que poderia ser solicitado a ministrar no culto da noite, embora o congresso tivesse terminado. Apropriando-me das palavras do apóstolo Pedro: “Por esta razão, sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados acerca destas coisas, embora estejais certos da verdade já presente convosco e nela confirmados.” (2Pe 1:12), tratei de orar e preparar um esboço. Devemos estar sempre prontos para testificar da esperança que arde em nossos corações (1Pe 3:15). E como é maravilhoso estarmos sensíveis ao Espírito Santo, pois ocorreu exatamente assim, após o louvor, fui chamado a ministrar novamente.

“Tendo-se acabado a água do odre, colocou ela o menino debaixo de um dos arbustos e, afastando-se, foi sentar-se defronte, à distância de um tiro de arco; porque dizia: Assim, não verei morrer o menino; e, sentando-se em frente dele, levantou a voz e chorou. Deus, porém, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está. Ergue-te, levanta o rapaz, segura-o pela mão, porque eu farei dele um grande povo. Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água, e, indo a ele, encheu de água o odre, e deu de beber ao rapaz” (Gn 21:15-19)

Agar, a serva egípcia, provavelmente foi oferecida a Abraão como dote pelo próprio rei do Egito, quando ele, com medo de ser morto, se passou por irmão de Sara, e ela foi tomada à casa de Faraó. Porém o Senhor puniu Faraó e a sua casa com grandes pragas, e ele devolveu Sara a Abraão (Gn 12:16-20). Agar não teve escolha, ninguém a consultou antes de manda-la servir a um povo estranho, pois os escravos eram tratados como se fossem mercadorias. Assustada, teve de aprender a falar o hebraico praticamente na marra. Não foi fácil conviver com a saudade da família, ficar distante de quem ama. Ela teve de se adaptar, aprender a cultura, se acostumar com a comida, com as roupas, com a rotina. O ser humano sempre se adapta, alguns se acostumam tanto ao sofrimento, que não se lembram como era viver sem ele, se esquecem da felicidade, de ter alegria. Suas expressões faciais vão emoldurando tanto ao sofrimento, que quase não correspondem mais aos impulsos do cérebro para um sorriso.

Perdendo Sara toda a esperança de ter filhos, entregou Agar por mulher a Abraão, com um plano precipitado e mal concebido, de ser mãe através de sua serva. O que para Agar, foi o renascer da esperança, a grande oportunidade, se tornar esposa do patrão, o homem mais abastado daquela terra. As coisas agora estavam mudando, ela não teria mais que receber ordens, que ser humilhada, quem sabe até mudar alguns costumes, a mobília, suas roupas. E quando teve a certeza de que concebeu, desprezou a Sara, sua senhora (Gn 16:4). Como diz em Provérbios 30:21-23: “Sob três coisas estremece a terra, sim, sob quatro não pode subsistir: sob o servo quando se torna rei; sob o insensato quando anda farto de pão; sob a mulher desdenhada quando se casa; sob a serva quando se torna herdeira da sua senhora”. Mas ela se esqueceu de que o coração de Abraão pertencia a sua esposa, e ele deu a Sara total liberdade para proceder como achasse por bem. Ela humilhou Agar de tal forma, que ela não resistiu e desesperada, fugiu para o deserto. Frustrada e com medo de ser encontrada pelos outros servos, ela parou em um poço, apenas para apanhar um pouco d’água, e prosseguir em sua fuga. Ao se sentar para retomar o folego, sentiu a criança se mexendo em seu ventre, e o instinto materno começou fazer o seu trabalho. “Tenho que protegê-la, mas como fazer isso nesse deserto?” – Ela estava sozinha e apavorada. Você conhece bem esse sentimento, não é mesmo? – Ter os planos frustrados, ver a esperança se esvair, não ter para onde ir. Você também já fugiu. Tentou se afastar dos problemas, da dor, do sofrimento. Mas se viu sozinho e sem auxílio. Ninguém te vê, passam despercebidos por sua dor, seu sofrimento e sua angustia.

O Anjo do Senhor a encontrou junto à fonte de água no deserto e lhe disse: “Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas mãos.” (Gn 16). Ele também lhe fez promessas, disse que ela daria luz a um menino e que sua descendência seria incontável. Agar estava enganada, afinal, alguém estava olhando, contemplando sua dor. “Então, ela invocou o nome do Senhor, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?” (Gn 16:13). O Deus que vê está olhando para você neste momento, Ele conhece sua história, contempla sua dor, conhece seus questionamentos, e ouve sua oração. “Todos os dias” foi o que prometeu Jesus. Não alguns dias ou poucos momentos, mas todos os dias, a todo instante (Mt 28:20), Ele te fez promessas, e te diz: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jr 29:11). Agar obedeceu, voltou para sua senhora, e no tempo determinado deu a luz a Ismael.

Bem, adiantando a história, Agar, com o filho adolescente, está de malas prontas. Pois se cumpriu a promessa do Senhor Deus a Abraão, e Sara finalmente se tornou mãe, e, vendo ela que Ismael, filho da escrava, menosprezava Isaque, seu filho legítimo, pediu ao marido que os mandassem embora. Abraão ainda tentou intervir em favor deles, pois pareceu muito penoso aos seus olhos despedir seu filho. “Disse, porém, Deus a Abraão: Não te pareça isso mal por causa do moço e por causa da tua serva; atende a Sara em tudo o que ela te disser; porque por Isaque será chamada a tua descendência. Mas também do filho da serva farei uma grande nação, por ser ele teu descendente.” (Gn 21:12-13). Assim, o patriarca os envia ao deserto, apenas com um pouco de pão e um odre de água (v. 14).

Com o sol escaldante e o calor do deserto, não demorou muito para a água do odre e a esperança de Agar se esgotar por completo. Ela entregou os pontos e, não era a primeira vez que desistia de tudo, colocou o filho em baixo de uma árvore e se afastou para não vê-lo morrer. Algumas pessoas parecem não saber o que significa perseverança, desistem facilmente, abandonam seus sonhos, se esquecem das promessas e desistem ao primeiro sinal de oposição à suas vontades, elas abrem mão de seus planos e simplesmente se afastam. Agar, em uma ação egoísta, abondou o filho para não vê-lo morrer, ela pensou apenas em si mesma, tentando evitar o sofrimento de ver o filho em agonia de morte, mas o que isso representou a Ismael? O que ele desejava? Será que queria mesmo ficar sozinho na hora da morte? Ela não pensou nele. Até o mais experiente médico observaria, após estar presente nos momentos finais de muitos pacientes, que nenhum deles pedia para ver suas posses, seu carro, seu saldo bancário, porém, a maioria tinha o mesmo desejo, eles queriam ter pessoas ao seu lado na hora da morte, desejavam ver seus entes queridos. O amor verdadeiro não abandona na hora da dor (1 Co 13). Muitos se afastam dos que estão à beira da morte e dos que estão sofrendo, simplesmente viram as costas com a desculpa de que não suportam ver sofrimento. O menino abandonado representa nossos projetos, sonhos e pessoas que deixamos por achar que vão “morrer”, que não vão dar certo, ou por não termos recursos e/ou capacidade.

Certa vez, minha querida esposa, ao preparar uma de suas magníficas guloseimas, acabou adicionando por engano, creme de leite na receita. Eu, que como sempre, estava ansioso para degustar um pudim de leite condensado, fiquei rodeando pela cozinha na expectativa de ser agraciado com algum dos ingredientes, para poder suportar toda ansiedade de um apetite voraz por guloseima, até que o pudim ficasse pronto. Porém, ao perceber que tinha adicionado creme de leite no lugar do leite por engano, ela simplesmente desistiu de fazer o pudim. Eu precisava fazer alguma coisa, ela não podia desistir, não àquela altura, pois eu já estava psicologicamente preparado para saborear o pudim. Então, como qualquer esposo deve fazer para continuar desfrutando de guloseimas, eu sabia meu papel, incentiva-la a terminar aquela maravilhosa obra de arte. – “Querida! De certa forma, creme de leite é leite, apenas acrescente leite e tudo ficará bem”. Argumentei. Para felicidade de todos, finalmente ela concordou, mas, por estar nervosa com a situação, ao invés de leite, acrescentou água. Ela ficou muito chateada, e agora estava mesmo resolvida a desistir. Eu tinha que agir rápido, pois a situação estava crítica, já se imaginou indo dormir sem sobremesa? – “Querida! Veja, o nome já diz ‘creme de leite’, se você acrescentou água, virou leite, está tudo certo, termine o preparo”. Com muita argumentação, finalmente a convenci a mandar o treco para o forno. Ufa! Achei que estava tudo correndo bem, mas, ao passar pela cozinha para observar o pudim (como faz um cachorro em frente a padaria, olhando os frangos assando), percebi que o forno estava desligado. Ela havia desistido. Abandonou o pudim, pois achou que não tinha condições de ficar bom e seria um desperdício gastar o gás para o preparo. Não acreditei no que estava vendo, aquela iguaria preciosa parecia dar os últimos suspiros. Imediatamente religuei o forno, pois ainda havia esperança para um esposo desesperado por guloseimas. Valeu o esforço, pois aquele foi o pudim mais fantástico que minha esposa já fez. Hoje em dia, ela dá a receita para suas amigas. Para nós ficou a seguinte lição: “o pudim sempre fica bom no final” (Rm 8:28). Quando as coisas parecem estar fora de controle, nos lembramos da “lição do pudim” e dizemos um ao outro: “Calma! o pudim sempre fica bom no final”.

De longe Agar chora, está tão aflita que só consegue ver o problema, sua mente não se foca em outra coisa. Ela já havia enfrentado o deserto antes, deveria se lembrar da experiência com Deus, mas só consegue ver o problema. Não é assim que fazemos? Focalizamos tanto nossos problemas que não enxergamos a solução, daí vem alguém que está de fora e diz: “porque não faz assim...”, e nos admiramos com a solução tão simples, estava tão perto, mas por estarmos focados no problema, não conseguíamos ver. Se não fosse o clamor de Ismael, provavelmente teriam morrido de sede ao lado de um poço. Deus ouviu o clamor do menino, diz o texto bíblico, e abriu os olhos de Agar para que enxergasse o poço de água. Note que não houve nenhum milagre, Deus não fez água brotar da rocha, apenas a fez enxergar o poço que estava ao seu lado todo o tempo. Quero dizer uma coisa a você, pela palavra de Deus e por experiência própria afirmo: “sempre haverá um poço”. Não desanime, pois Deus só permitirá que sua água acabe perto de um poço de água (1Co 10:13). Se só ficarmos olhando para o pote vazio, nunca enxergaremos o poço.

Minha esposa é uma pessoa maravilhosa, não conheço ninguém mais meiga e amável que ela. Uma mulher de fé. Embora algumas vezes se aflija nas adversidades, sempre que se acalma consegue achar ótimas soluções, ela sempre encontra um “poço de água”. Na verdade, ela é um precioso poço de águas cristalinas que o Senhor me ajudou a encontrar no deserto. Os poços que encontramos geralmente tem nome, o meu se chama Juliana, e o seu? Em todas as vezes que estive no deserto, sempre havia poços de água, é assim que o Senhor se manifesta a nós, através de pessoas, por meio de sua igreja, o corpo de Cristo. Em Samaria havia uma mulher que também estava morrendo de sede ao lado de um poço, ela ia até o poço todos os dias, e por mais que tirasse água dele todos os dias, nunca se saciava, sempre voltava ao poço, até que encontrou a Fonte Eterna (Jesus), a qual lhe disse: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.” (João 4:14).

Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. (Ap 7:16-17).

Não morra de sede ao lado do poço, busque em Jesus a água viva, pois por mais difícil que parece seu problema, Ele é a solução, e quer dar vida a seus sonhos, projetos, promessas e entes queridos.

Ev. Elias Codinhoto

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Chamado (Congresso Jubrac Sul – Parte 6)



“Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22:14)


Dez minutos de intervalo e já estávamos de volta. Desta vez a ministração estava por conta do Pr. Daniel, líder estadual da Jubrac. Logo ficou evidente que seus dons não se resumiam em liderança e ministração da palavra. Com uma voz maravilhosa começou a entoar louvores a Deus e, em um instante, o templo já estava cheio da glória de Deus novamente. O foco principal de sua mensagem foi sobre “chamado”. E agora?! Preocupei-me, pois esse foi o tema que preparei para mensagem de encerramento, será que deveria mudar o tema? Mas logo minhas preocupações se dissiparam, pois as palavras que o Espírito Santo me deu naquela manhã me atingiram como um raio: “se Deus fala uma vez é importante, se fala duas vezes é importantíssimo”. Então tive convicção que deveria manter o tema, pois Deus desejava enfatizar a ministração sobre “chamado”. Sendo assim, só me cabia relaxar, sendo alimentado pela regeneradora palavra Deus, que nos foi ministrada através da vida do Pr. Daniel, culminando em um ousado desafio aos jovens, que vieram à frente cheios de fé, ousados, vivificados, chamando à existência as coisas que não existem (Rm 4:17).


Após o almoço, o Pb. Felipe, líder da Jubrac local (meu anfitrião), me levou a um rápido tour pela cidade de Pelotas. Seus antigos casarões se contrastam com a paisagem moderna, como se lutassem para manter viva a pompa de seus primeiros colonizadores, os barões do charque. Muitos edifícios foram tombados e estão sendo reformados, entre eles, a prefeitura e a biblioteca, que já foram cuidadosamente revitalizadas. Os moradores se orgulham de serem guardiões de um dos primeiros teatros do Brasil. Ficarei devendo mais detalhes sobre a cidade, pois um telefonema interrompeu nosso passeio. Era a esposa do presbítero, ela esqueceu a chave do alojamento dentro do carro, e tivemos que voltar, pois os irmãos estavam ansiosos por um banho e uma boa soneca, pois ainda tínhamos a reunião de encerramento, programada para as 15 horas. E lá vamos nós, de volta ao hotel...



- O Chamado


“Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco em companhia de seu pai, consertando as redes; e chamou-os. Então, eles, no mesmo instante, deixando o barco e seu pai, o seguiram.” (Mt 18:22)


Trinta e dois mil homens haviam respondido ao chamado de Gideão (Jz 7), apesar de toda nação ter sido convocada a guerra. “Disse o SENHOR a Gideão: É demais o povo que está contigo, para eu entregar os midianitas nas suas mãos; Israel poderia se gloriar contra mim, dizendo: A minha própria mão me livrou. Apregoa, pois, aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for tímido e medroso, volte e retire-se da região montanhosa de Gileade. Então, voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram” (v. 2-3). O “chamado” é a coisa mais importante para alguém, é a razão de nosso viver. Assim como os primeiros discípulos, deixamos nossas antigas ocupações para nos dedicar ao chamado de Cristo. Submetendo-nos à sua vontade, seguimos para o campo de batalha, mas os covardes devem voltar, não há lugar para tímidos e medrosos nas fileiras do exército de Deus, pois como em epidemia, os covardes fazem derreter os corações de seus irmãos (Dt 20:8). Já percebeu que algumas pessoas parecem sugar a seiva da vida que há em nós? – Basta pouco tempo de conversa para nos sentirmos totalmente desanimados. Os melhores projetos parecem sucumbir diante dos “crentes Hard” (hiena melancólica, personagem de um antigo desenho animado): “Óh vida! Oh céus! Oh tristeza!”. Bom dia Sr. Hard – Não vejo nada de bom nele! – Tudo bem Sr. Hard? – Pra ser sincero, eu não estou bem não... “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22:14).


Gideão prossegue com apenas um terço da multidão. “Disse mais o SENHOR a Gideão: Ainda há povo demais; faze-os descer às águas, e ali tos provarei; aquele de quem eu te disser: este irá contigo, esse contigo irá; porém todo aquele de quem eu te disser: este não irá contigo, esse não irá.” (v. 4). Existe um ponto onde só podem passar os que foram chamados, por mais que alguns se esforcem, que desejem, é preciso ter o chamado, “E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.” (Jo 6:65). Alguns, por não entenderem esse princípio, se frustram tentando ser algo que não foram chamados para serem (v. 66), porém, os que são chamados não desistem, pois compreenderam que não existe outra opção (v. 68-69).


Gideão fez os homens descerem até às águas (v. 5). Os que têm o chamado precisam descer às águas, e para atravessá-las não basta ter uma boa conversa, nas águas as atitudes falam mais alto. O Senhor está observando seus atos, pois eles são decisivos na vida de quem tem o chamado. O chamado consiste em mudança de atitude, um aperfeiçoamento constante (Ef 4:28-32). Apenas um terço novamente é escolhido, desta vez, restam trezentos homens a Gideão, “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22:14).


Uma vez que reconhecemos o “chamado”, ele se torna garantia de vitória. Gideão e seus trezentos homens obtiveram vitória sobre os midianitas, mas durante a batalha passaram privações, os moradores de Sucote e Peniel negaram-lhes alimento (Jz 8:4-8). Nem todos apoiarão seu chamado, até alguns se negarão em ajudar e outros tentarão persuadi-lo a desistir. Jesus, sempre verdadeiro, nos advertiu: “Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo (Mt 10:22)”. Percebam que existe um segredo incutido nessas palavras, “perseverar”, perseverar até o fim nos garante a vitória, “Vindo Gideão ao Jordão, passou com os trezentos homens que com ele estavam, cansados, mas ainda perseguindo.” (v. 4). Muitos não puderam fazer parte dos trezentos, “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22:14).


Algumas pessoas acreditam que o “chamado” os envia, como se um pai que dá uma tarefa e depois o despede, para que vá cumprir, mas não é assim com o “chamado”, usando sentido literal da palavra, o “chamado” nos aproxima de Deus, Ele nos “chama” para perto de si. A escuridão nada mais é do que a ausência da luz, assim também, a morte é a ausência da vida. Eu disse a princípio que o “chamado” é a coisa mais importante na vida de uma pessoa, é porque ele nos conduz ao que nos foi furtado no Jardim do Éden, pois a advertência era: “mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn 2:17), o morrer aqui é a ausência da vida, ausência de Deus, nesse contexto a declaração de Cristo “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14:6), ganha mais brilho, pois Jesus declara ser o caminho, o acesso à Deus, e também à Vida, e reparem que Ele diz: “ninguém vem ao Pai”, Jesus não diz: “ninguém vai ao Pai”, ou seja, Ele é o caminho para si mesmo, o acesso à Vida. O “chamado” nos leva para o centro da vontade de Deus, e sua vontade é estar conosco: “E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.” (Jo 14:3). Estar no centro da vontade de Deus é o nosso desafio todos os dias, e o amor é a nossa motivação, Jesus nos disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”. (Jo14:23).


E você, sabe qual é o seu “chamado”?


Ev. Elias Codinhoto

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Por que devemos pescar? (Congresso Jubrac Sul – Parte 5)

(João 21:1-17)

Manhã de domingo. Eu despertei cedo, exatamente às 6 horas já estava preparando o banho, precisava afastar o cansaço, tomar o café e voltar ao congresso. Enquanto me arrumava, percebi que alguns raios de sol começavam a forçar passagem pelas pequenas frestas na janela. Com a correria, ainda não tinha tido tempo de examinar o local, minhas passagens pelo hotel Tourist se resumiam a banho, troca de roupa, oração, leitura, e o sono da noite anterior. Como que respondendo a um convite, fui até a janela, e para meu espanto, ao abri-la, vi o lindo nascer do sol. O cenário era deslumbrante, havia um imenso gramado que se estendia da minha janela até tocar timidamente a margem da represa, que, apesar de tão grande, eu nem havia me dado conta que estava ali. A luz alaranjada do alvorecer refletia entre os galhos de uma árvore solitária no meio do gramado, criando um cenário fabuloso, que prendeu atenção por alguns instantes. Após um generoso café da manhã, me senti atraído para uma conversa com Deus em meio aquela paisagem. Senti que Ele me dizia: “Eu te amo muito! Nunca estará sozinho, pois Eu sou contigo!”. Talvez o cenário à sua volta não seja o mesmo que vislumbrei naquela manhã em Pelotas (RS), mas Deus também te convida para uma conversa a sós, Ele precisa te dizer algo muito importante: “Eu te amo muito! Nunca te abandonarei, onde quer que esteja...” (Jo 3:16 e Mt 28:20).

Retomando o tema do congresso: “Dá-me almas”, e o texto base: “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Mt 4:19). Diante do que temos exposto sobre “pescar” (ganhar almas para Deus), pergunto: “Por que devemos pescar?”. Por que devemos deixar de nos dedicar unicamente à nossa vida e nos desgastar, sendo rejeitado, questionado, humilhado e maltratado, na esperança de convencer outros do Amor de Cristo?

“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:15-17)

Começaremos refletindo sobre os tipos de “amor” no Grego Antigo:

Eros (Amor Romântico) – É o Amor da Paixão, dos namorados, dos sentimentos e sensações. De onde deriva as palavras “erótico e erotismo”, o eros está principalmente ligado a atração física, beleza, aromas, toques, desejos e fantasias. Por estar baseado nesses fatores, o eros tende a acabar rapidamente, uma vez obtido o que se deseja. Às vezes o sentimento se torna até repulsivo, como exemplificado no sentimento que Amnom sentiu por sua meia-irmã Tamar, registado em 2 Samuel, capítulo 13. Aminom, após violentar sua irmã, a põe para fora nua e fecha a porta (v. 15-17). Essa história se repete inúmeras vezes, quantas garotas passaram por isso? Seduzidas por declarações e promessas, são levadas ao sexo ilícito, ou até mesmo violentadas, mas, uma vez consumado o ato, são abandonadas como mercadoria estragada. Quantos casamentos foram violados pelos sentimentos mal administrados do eros? – Quantos lares desfeitos? – A fantasia carnal, que sempre termina em dor e sofrimento.

Phileo (Amor Recíproco) – É o Amor da Amizade (Amor Condicional). A palavra “filantropia” que vem do grego (filós+ântropos) significa “amigo do ser humano, da raça humana” (amor pela humanidade/homem genérico). Filantropia e Filadélfia (Ap 3:7) são a mesma palavra no original. Esse tipo de amor foi vivido com muita intensidade entre Jônatas e Davi (1Sm 18:1 e 2Sm 1:26), e, infelizmente mal interpretado por mentes malignas e maliciosas que distorcem esse sentimento para que pareça algo pervertido, esses porém, serão julgados por suas próprias conjecturas (Mt 5:19). A amizade autêntica está caindo em desuso, o medo de ser traído, machucado ou explorado, tem feito muitos se apartarem de amizades (Pv 16:28), contudo, quem conquista amigos autênticos descobre tesouros (Pv 18:24). Jesus foi ferido por seus “amigos” (Zc 13:6), no entanto, isso não o impediu de preservar amizades até as ultimas consequências (Jo 15:13), e de valorizá-las com um alto grau de intimidade (v. 15).

Storgé (Amor Fraterno) – É o Amor da Família (amor de irmãos), da convivência, como no lar de Lazaro, Marta e Maria. Infelizmente, esse tipo de amor também tem se deturpado, se tornado egoísta, se esvaído, como um sinal de alerta, proclamando que está próximo o fim, trazendo à mente as palavras de Cristo: “E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai, o filho; e os filhos se levantarão contra os pais e os matarão.” (Mt 10:21).

Todos esses tipos de amor são limitados, incompletos, de pouca duração. Mas quero falar ainda de outro tipo de amor...

Ágape (Amor Incondicional) – Esse é o Amor de Pai para filho, o amor sem medidas, descrito em 1 Coríntios 13, o Amor de Deus, revelado em João 3:16 “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. O amor que se volta ao próximo, que se foca mais em dar do que receber. Sem se importar com as recusas ama, busca, se importa, cuida... “não busca seus interesses... tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Co 13:5, 7). Entretanto, mesmo o ágape tem sido arrefecido no intimo de muita gente, em exclamação ao Texto Sagrado registrado em Mateus 24:12 “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor (ágape) de muitos se esfriará.” (grifo do autor).

Por que devemos pescar?! Por que amar? Por que nos doar em favor de outros?

Você já reparou que muitos casamentos parecem entrar em crise logo nos primeiros momentos de convivência mutua. O que acontece depois de dizer sim? – O que começa com uma paquera, cresce no namoro, aumenta no noivado, se expande até o casamento, parece decair no exato momento que dizemos “sim”. O que termina? – A resposta é “a conquista”. Quando dizem “sim” no altar, principalmente os homens, são invadidos pelo “sentimento de posse”, como se já fossem donos e não houvesse mais nada a fazer. “Já passei para o meu nome”, como exclamam alguns. Acaba-se a conquista, não é mesmo?! Afinal, estamos casados. Para que nos dedicarmos mais? Não bastaram as flores que dei no namoro, o cortejo, os passeios, as palavras bonitas... E a lua de mel?! Custou uma grana preta! Não preciso mais dizer que a amo, ela já sabe! (será?). Veja o conselho de Pedro, o pescador de almas: “Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações.” (1 Pe 3:7). “Vaso mais fraco”, sabe o que quer dizer? – Quer dizer que as mulheres precisam de “reafirmação”, precisam ouvir muitas vezes: “Eu te amo!”. E não se resume em palavras. O Dr. Gary Chapman, um dedicado pastor, que estudou por muitos anos o que chamou de “linguagens de amor”, identificou que os seres humanos entendem o amor de cinco maneiras diferentes: Palavras de Afirmação (elogios), Tempo de Qualidade, Presentes, Atos de Serviço e Toque Físico. Em seu livro “As Cinco Linguagens do Amor” ele explica:

Palavras de Afirmação – É o tipo de linguagem onde as pessoas entendem o amor através de expressões verbais. Elas necessitam ouvir que são amadas, que são estimadas, que são importantes e que têm valor. Provérbios 18:21 diz: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”. Como se sente ao ouvir algo do tipo: “Você ficou elegante com este terno” – “Você ficou ótima com este vestido” – “Você fez um ótimo trabalho” – “O jantar estava delicioso”. Talvez para você seja apenas palavras, mas para algumas pessoas isso é “amor”. Imagine seu chefe dizendo as seguintes palavras após você concluir um trabalho: “Vi como se esforçou para realizar este projeto e quero que saiba que valorizo sinceramente aquilo que fez...”. As palavras tem poder, saber utiliza-las como forma de amor chega a ser um dom, quantas pessoas, contudo, foram feridas por palavras (Rm 3:13, Tg 3), mas, como em uma via de duas mãos, muitas foram restauradas por palavras de sabedoria (Sl 37:30, 68:11, Is 52:7). Quando Jesus perguntou se seus discípulos queriam deixa-lo, como fazia a multidão, Pedro respondeu de pronto: “... Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;” (Jo 6:68). Retomo as palavras do sábio rei Salomão, que inspirado pelo Espírito Santo declarou: “A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra.” (Pv 12:25).

Tempo de Qualidade – Significa dar à outra pessoa nossa atenção exclusiva. Para uma criança pequena: é sentar-se com ela ao chão e brincar de bola, para o cônjuge: é sentar-se no sofá e olhar em seus olhos enquanto conversam... Atenção exclusiva, passar tempo com alguém que amamos. Como escreveu Max Lucado: “crianças soletram amor com cinco letras – t-e-m-p-o”.

Presentes – Dar presentes é uma expressão universal de amor. Para o que tem esse tipo de linguagem, os presentes não precisam necessariamente ser caros – “estava pensando em mim, veja só o que comprou”. Eles expressam a quem os recebe que são valorizados e amados. Reparem como desembrulham o pacote com todo cuidado para não rasgar o papel. Tem pessoas que guardam presentes em suas embalagens por muito tempo, para que não se estraguem, alguns nem ao menos os usam, não porque não tenham gostado, mas por desejarem prolongar o sentimento de amor pelo qual foram envolvidos ao receberem.

Gestos de Serviço – Como expressa um antigo ditado: “O que você faz fala mais alto do que o que você diz”. Realizar algo que você sabe que a outra pessoa gostaria que fizesse é uma expressão de amor. Quando falo em “gestos de serviço”, não consigo pensar em exemplo melhor do que o da mulher pecadora, registrado no Evangelho de Lucas. Ela ungiu a cabeça de Jesus com seu melhor perfume, lavou seus pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos (Lc 7:36-50). O Mestre reconheceu a atitude daquela mulher como a demonstração abundante de amor (v. 47). Ajudar em casa, no trabalho, na igreja, até mesmo em pequenas tarefas, pode ser uma boa oportunidade de expressarmos amor. Estender a mão ao aflito, servir ao próximo, doar-se, foram atitudes que marcaram a vida de Tabita (At 9:36-42) e, por sua demonstração de tipo de amor, Pedro comovido, roga a Deus, que lhe devolve a vida.

Toque Físico – Há ainda, aqueles que entendem o amor através do toque suave das mãos em forma de carícias, de abraços e beijos, Paulo enfatizou este ultimo em sua epistolas (Rm 16:16, 1Co 16:20, 2Co 13:12 e 1Ts 5:26), e Pedro o chamou de “osculo de amor” (1Pe 5:14). Quem não gosta de um bom cafuné? E que tal uma massagem? – Os grandes amantes do toque físico são chamados de sinestésicos – Gostam de conforto, abraços, beijos, e até mesmo um aperto de mãos, pode fazer toda diferença. Embora alguns achem chato o momento em que alguém do púlpito pede para abraçar a pessoa ao lado, existem aqueles que estão tão carentes de contato humano, que esperam ansiosos por chegar o domingo, para poder receber um abraço afetuoso de um irmão. Certa vez um irmão de minha igreja testemunhou, depois de ter passado um momento muito difícil, que os abraços que recebia na igreja, deram-lhe forças para atravessar tal dificuldade. Ficou com vontade de abraçar alguém? Então faça isso, pois essa pessoa pode estar com o “tanque emocional” totalmente vazio.

Mantenha cheio o “tanque emocional” de quem ama! Pratique as linguagens de amor. Descubra com qual se identifica mais, e também a linguagem de seus familiares, de seus irmãos, de seu próximo. Ministre amor, reparta com as pessoas, não te custa! Mas pode fazer toda diferença na vida de alguém.

Por que devemos pescar?!

Vamos voltar à história do pescador (não disse história de pescador). Para entender o diálogo entre Jesus e Pedro (João 21:15-17), precisamos relembrar um pouco a história. Em Mateus 4:19, Pedro é desafiado a largar tudo e seguir a Jesus, a proposta sugeria uma mudança de “profissão”, deixar os peixes e se dedicar às pessoas: “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”. Simão atende de pronto, abandona as redes, o barco e tudo mais, como ele mesmo declarou: “Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?” (Mt 19:27), eu o convido a refletir mais tarde na resposta de Jesus (Mt 19:28-29), mas por hora vamos seguir com Pedro, que parecia o mais convicto dos discípulos, pois mesmo quando o discurso de Cristo se tornou duro, revelando todo o sofrimento que passaria, o pescador insistia em segui-lo: “Então, Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão. [...] Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.” (Mt 26:33). Jesus joga um “balde de água fria” em Pedro com esta declaração: “Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás.”, mas ele persiste: “Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo”. O pescador parece muito seguro em suas afirmações de fidelidade ao Mestre. Lucas registrou a seguinte afirmação de Pedro: “... Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte.” (Lc 22:33). Foi também o doutor Lucas quem registrou, alguns versos a frente, detalhes do momento em que Pedro negou Jesus: “Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.” (v. 61). Acredito que olhar de Cristo penetrou na alma de Simão como uma espada aguda e afiada, cortando a carne a sua volta e deixando uma ferida aberta. Pedro chorou amargamente (v. 62), pois não era somente a dor de tê-lo negado, era também a dor da vergonha, da impotência, da mentira, a dor do fracasso, pois ele sabia que Jesus, o Mestre a quem jurou fidelidade, conhecia sua fraqueza e não ignorava seu erro.

Talvez seja esse tipo de dor que te destrói. Noite após noite é sua única companheira. Ela ressurge assim que as luzes se apagam, não o deixa dormir. Você errou, grita ela te apontando o dedo indicador. E ao buscar refúgio em sua consciência, as únicas palavras que encontra são: fracasso, fraqueza, incompetência, irresponsabilidade, inutilidade, culpa! Quem sabe não foi esse o motivo que o fez retroceder, assim como Pedro (Jo 21:3). O fez voltar à antiga vida, aos vícios, a pornografia, a mentira, a dor, a morte. Acredito que você entenda porque Pedro voltou a pescar peixes, talvez você também não tenha jeito pessoas, quem sabe as tenha magoado, e agora se esconde, não quer encontra-las, não quer nem mesmo se encontrar com Cristo, não por que não o ame, mas pela vergonha de tê-lo negado. Então você, mais que ninguém, entenderá porque Jesus foi até a praia, pois sabe bem, que alguém nessas condições não tem forças para seguir adiante. Mas Ele foi até Pedro, exatamente como naquela noite em que caminhou sobre as ondas. O vento soprava forte, as ondas eram contrárias, os discípulos não conseguiam remar em direção à praia, mas Ele veio, caminhando tranquilo sobre as ondas (Mt 14, MC 6 e Jo 6), tão sereno como está agora, caminhando em sua direção, sussurrando seu nome. Ouça sua voz suave, ignore por um instante o barulho do mar, não dê atenção às roupas molhadas pela forte chuva, procure não deixar que o frio roube sua consciência. Dessa do barco, como fez Pedro e caminhe sobre as ondas. Então vai ouvir claramente sua voz chamando seu nome, sentirá o calor de sua presença aquecendo sua alma e trazendo-o de volta à vida.

Simão! É Jesus quem está na praia...

Pedro não esperava vê-lo, nem achou que viria, não depois de tê-lo negado. Surpreso se lança ao mar, tentando se esconder, pois estava nu. A nudez de Simão não era somente física, pois todos conheciam seu erro, sabiam de sua dor, de seu fracasso. Ele não conseguiu manter sua a palavra. Pode ser que se identifique com ele, sem poder manter a sua palavra, sem cumprir promessas, sem estar presente quando disse que estaria. Mas Jesus veio encontra-lo, veio cura-lo, veio liberta-lo da culpa e da dor.

Por que devemos pescar?!

Vamos entender melhor o dialogo entre eles, ressaltando as formas de amor no contexto original:

“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me (ágape) mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo (phileo). Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros.” (João 21:15)

Reparem que Jesus pergunta no ágape, e ainda acrescenta: “mais do que esses outros”. Ou seja, Ele pergunta se Pedro o ama incondicionalmente, mas ele só consegue responder no phileo, é como se Jesus dissesse: “você me ama?” e Pedro respondesse: “eu gosto de você”. Esses detalhes não são perceptíveis na tradução que possuímos, pois nosso vocabulário limitado só tem uma forma de escrever a palavra “amor”, embora tenhamos consciência que existem vários níveis.

“Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas (ágape)? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo (phileo). Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas.” (João 21:16)

O Mestre volta a perguntar no ágape, porém desta vez não enfatiza: “mais do que esses outros”, e Pedro mais uma vez responde no phileo, como se não conseguisse afirmar seu amor ao Mestre, sua autoestima foi afetada, não conseguia se apoiar sobre as pernas de sua consciência. Ele colocou sobre os ombros o pesado fardo da culpa, e não permitiria perdoar-se, não sem luta, não sem a grande batalha em seu interior, que por mais que tentasse vencê-la, a culpa persistia em ressurgir das cinzas. E Jesus insiste:

“Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas (phileo)? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas (phileo)? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo (phileo). Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:17)

Agora podemos entender porque Pedro se entristeceu tanto com a pergunta de Cristo. Reparam que dessa vez Ele pergunta no phileo, como se quisesse descer ao nível do amor de Simão para resgatá-lo. Por mais que Pedro imaginasse ter pouco, ou quase nada a oferecer, Jesus lhe dizia: “me entregue o que tem”. Deixe-me Fazer! Como aquela pobre viúva que vai a procura do profeta Eliseu (2Rs 4), ela só tinha um pouco de azeite, mas com a intervenção de Deus, foi o suficiente para pagar a divida, salvando seus filhos e garantindo o seu futuro. Jesus mudou a linguagem para alcançar Pedro, descendo até onde ele estava (Fp 2:5-8). Talvez você se sinta muito fraco, mas isso não é problema, veja o que o apostolo Paulo descobriu: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2 Co 12:10). Então se levante, junte a pouca força que lhe resta, “Forjai espadas das vossas relhas de arado e lanças, das vossas podadeiras; diga o fraco: Eu sou forte.” (Joel 3:10). Quando Paulo se queixou da dor (espinho na carne) que não o deixava, “Então, Ele (Jesus) me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.” (2 Co 12:9).

Por que devemos pescar?!

Quando Deus nos diz algo, isso é importante, quando Ele repete, é importantíssimo, e como devemos considerar quando o Senhor repete mais uma veze. Por três vezes Jesus perguntou: ...tu me amas? - E em cada resposta, afirmava: Apascenta os meus cordeiros, pastoreia as minhas ovelhas, apascenta as minhas ovelhas... Ou seja: Você me ama? Então cuide! – Jesus literalmente diz: “junte todo amor que tem por mim e canalize-o na cuidado ao próximo”, como afirmando: “Eu sentirei seu amor através das pessoas”.

“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. [...] Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado.” (1 João 4:7-8 e 11-12).

Por que devemos pescar? – Porque Ele nos amou primeiro (v. 19)

“Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (v. 20)

Ev. Elias Codinhoto

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quem é Você? (Congresso Jubrac Sul – Parte 4)

“Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.” (Mt 16:13-17)

Uma passada rápida pelo hotel Tourist (onde eu fiquei hospedado), para um banho a alguns ajustes na mensagem da noite, e meus anfitriões já batiam à porta para me levar de volta à igreja. O jantar foi servido no Salão Social, que leva o nome do Pr. Moacir Barcelos da Silva, um grande homem, que, pelo que me contaram, foi um dos fundadores da igreja em Pelotas. Os irmãos que vieram em caravanas e muitos membros da igreja local se reuniram para o jantar, como no Salmo 133:1 “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!”. A igreja estava lotada. Os diáconos tiveram que improvisar acentos com as cadeiras do refeitório. Me informaram que tinha cerca de quatrocentas pessoas na reunião da noite. Após um período muito abençoado de louvor e adoração, foi me dada novamente a oportunidade. Não era preciso ser muito espiritual para perceber que o Espírito Santo estava no controle do culto, pois sua presença era marcada por alegria, paz, comunhão e temor a Deus.

Diz o texto de Mateus 16, que Jesus foi para os lados de Cesaréia, que significa “separado”. Cesaréia de Filipe estava situada ao pé do Líbano, próximo as nascentes do Jordão em Gaulanites. Anteriormente chamada de Panéias, foi posteriormente reconstruída por Felipe, o tetrarca, e chamada por ele de Cesaréia, em honra a Tibério César; subseqüentemente chamada Neronias por Agripa II, em honra a Nero. Cesaréia da Palestina foi construída próximo ao Mediterrâneo por Herodes, o grande, no lugar da Torre de Estrabo, entre Jope e Dora. Foi provida com um porto magnífico e recebeu o nome Cesaréia em honra a Augusto. Foi a residência de procuradores romanos, e a maioria de seus habitantes eram gregos. Foi neste cenário, um lugar “separado”, que o Mestre pergunta a seus discípulos: “Quem sou Eu?”. Quero propor que transfira a pergunta para si: Quem é você?

Talvez você responda a está pergunta dizendo: “sou Elias, João, Maria, Antônio, Fátima, Lucia, Edson...”. Mas, será que Deus concedeu a seus pais o direito de irem a um cartório e com isso definir quem você é? - Veja o que a Bíblia diz: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (Ap 2:17). Deus tem um novo nome para você, um nome que Ele conhece e, é por esse nome que Deus te chama, então não importa o nome que seus pais te deram. Você é mais que um nome!

Talvez você ainda responda dizendo: “sou brasileiro, americano, italiano, nordestino, baiano, carioca...”. Mas será que o lugar onde você nasceu pode definir quem você é? - Você é mais do que uma região geográfica!

Ou talvez sua resposta seja: “sou jovem, adolescente, idoso, ou uma criança, como respondeu Jeremias (Jr 1:6)”. Mas ainda questiono: “será que o momento em que nascemos pode definir quem somos?” - Alguns ainda dizem: “sou de gêmeos, de capricórnio, de leão...”. Mas será que o dia de se nascimento pode definir quem você é? - Você é mais que um signo, mais que uma data de nascimento!

Ainda tem os que dizem: “sou operário, pedreiro, médico, advogado...”. Será que nossos estudos, nossa formação profissional define quem somos?

Afinal! Quem é você?

Conforme texto áureo, existem três respostas a essa pergunta. Primeiro Jesus pergunta: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?”, ou seja, o que os outros dizem a meu respeito, quem sou eu na visão dos outros? - Segundo: “quem dizeis que eu sou”, qual a sua própria opinião? - Mas a resposta de Pedro vem em uma terceira ótica: “porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus”. Pedro respondeu com a verdade porque não expressou a opinião dos outros nem a sua própria, mas respondeu segundo a visão do criador.

1 - Quem os outros dizem que sou? - Muitas pessoas criaram suas identidades baseadas nas opiniões dos outros e hoje são pessoas frustradas, com baixa autoestima, tristes, frustradas... Quando deixamos que as pessoas definam quem somos, elas se tornam deuses em nossas vidas, pois nos tornamos o que elas falam. Quando alguém diz: “você não é nada, você não vai conseguir, você é feia, magra, gorda, burra, irresponsável, fracassada...”, se damos atenção, nos tornaremos isso mesmo, principalmente quando quem fala é alguém que valorizamos, que amamos, respeitamos, como nossos pais, parentes e amigos. Saiba que Deus não deu a ninguém esse direito, mesmo a quem amamos. “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.” (Jr 29:11).

2 - Quem eu digo que sou? - A outra resposta é: quem sou aos meus próprios olhos, como me vejo no espelho, como me defino. Se você tem uma autoestima forte, pode se definir além do que é, e, é assim que muitos se tornam pessoas arrogantes, autoritários, amantes de si mesmas, pessoas de coração endurecido (Ez 11:19 e 36:26), que não valorizam ao próximo. Outros, com autoestima fraca, podem se definir abaixo do que são, e se tornam pessoas tímidas, infelizes, sempre acreditando que os outros são melhores do que elas, sem iniciativa, são medrosas, desistem facilmente de seus ideais, a vida delas se torna uma decepção constante. Por mais que sejam belas, que tenham as coisas, ainda se acham feias e sem nada, é como se ninguém as amasse. A Bíblia diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17:9). É arriscado seguir esse coração enganoso e corrupto, não podemos confiar nossa identidade a nossa própria visão.

3 - Quem Deus diz que sou? - A terceira e ultima resposta é: “quem eu sou aos olhos de Deus e como Ele me vê”. Somente o Criador, aquele que projetou o ser humano, traçou as cadeias de DNA, emoções, sentimentos, cor de pele, cabelos... Pode dizer quem somos. Todas as outras respostas são meras suposições, não se aproximam da verdade, e verdade é uma só: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Jesus é a verdade, só Ele pode dizer quem você é.

Se você quiser saber quem é aos olhos dos outros, basta perguntar-lhes. Para saber quem é aos seus próprios olhos, é só se olhar no espelho e descrever a imagem que vê. Mas, se você quiser saber quem é aos olhos de Deus e realmente conhecer a verdade a seu respeito, deixe o Espírito Santo te conduzir pelas paginas da Bíblia Sagrada, então ouvirá o Pai sussurrando aos seus ouvidos:

Você é meu filho! (Jo 1:12)

Você é mais que vencedor, pois Eu te amo! (Romanos 8:37b)

Você é sal da terra (Mt 5:13)

Você é luz do mundo (Mt 5:14)

Você é amigo de Cristo (Jo 15:15)

Você é sacerdote, e reinará sobre a terra (Ap 1:6; 5:10; 20:6)

Você é parte da videira verdadeira, um canal da vida de Cristo (Jo 15:1,5)

Você é escolhido por Cristo para produzir seu fruto (Jo 15:16)

Você é servo da justiça (Rm 6:18)

Você é servo de Deus (Rm 6:22)

Você é justo e santo (Ef 4:24)

Você é cidadão dos céus (Fl 3:20)

Você é santuário de Deus (1Co 3:16)

Você é ministro da reconciliação (2Co 5:17-20)

Você é filho da Luz a não das trevas (1Ts 5:5)

Você é uma nova criatura em Cristo (2Co 5:17)

Você é feitura de Deus (Ef 2:10)

Você é co-herdeiro com Cristo, compartilhando a Sua herança (Rm 8:17)

Você é templo, morada de Deus, seu Espírito e sua vida estão em ti (1Co 3:16; 6:19)

Você é obra de Deus, nascido em Cristo para fazer a sua obra (Ef 2:10)

Você é nascido de Deus e o maligno não pode tocar-lhe (1Jo 5:18)

Você é livre para sempre da condenação (Rm 8:1,2)

Você está certo de que todas as coisas cooperam para o seu bem (Rm 8:28)

Você está assentado nos lugares celestiais (Ef 2:6)

Você pode tudo em Cristo que te fortalece (Fl 4:13)

Você não recebeu espírito de covardia, mas de poder, amor e moderação (2Tm 1:7)

Você pode encontrar graça e misericórdia em ocasião de necessidade (Hb 4:16)

Você foi remido e perdoado de todos os seus pecados (Cl 1:14)

Você é completo em Cristo (Cl 2:10)

QUEM É VOCÊ? - VOCÊ É O QUE DEUS DIZ É!

A maior expressão do amor de Deus para nós é esta: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8).

Com visão vai ficar? – a dos outros, a sua ou a de Deus?

“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” (Dt 30:19-20).

Ao concluir a ministração, voltei para meu lugar, mas, o Espírito Santo começou a falar comigo, dizendo que tinha pessoas ali que estavam tão feridas em sua identidade, que mesmo depois de ouvirem como Deus as vê ainda se questionavam: “será que sou realmente o que o pregador diz que sou?”. O grupo de louvor já tinha começado a ministrar e eu estava reprimido pensando: “eu já entreguei o microfone, não posso retornar ao púlpito”. O Espírito Santo, porém, insistia comigo: “você precisa orar por eles, convidando-os a dar um passo de fé”. Percebendo que não podia resistir, tomei coragem e voltei ao púlpito. O grupo de louvor estava muito sensível a tudo que Deus estava fazendo ali e, imediatamente o Pb. Felipe me devolveu o microfone. O louvor continuou baixinho enquanto eu fazia o apelo: “O Senhor me pediu que voltasse por você (enfatizei). Ele me disse que tem pessoas aqui, que foram tão feridas em suas identidades, que ainda se questionam se realmente são o que Deus te diz que são. Eu voltei para orar por vocês. Saiam de seus lugares e venham à frente, pois Deus quer que oremos, Ele quer restaurar identidades aqui!”. Eu não pude deixar de notar o espanto do líder do louvor, quando imediatamente as pessoas se levantaram para vir à frente. Sei que Deus restaurou a vida de muitos naquela noite. – Talvez você esteja se perguntando por que estou descrevendo o momento do apelo. É justamente por sua causa! – Você que também precisa desta oração. Dê um passo de fé e ore comigo:

“Querido Deus! Somente o Senhor pode definir quem sou. Eu me arrependo por ter dado ouvido as vozes, seja dos outros ou a minha própria. Eu concordo com sua visão a meu respeito e aceito sua Graça (favor imerecido). Quero ser o que o Senhor diz que sou. Por isso limpe minha mente e meu coração de toda palavra mentirosa, continue falando a meu espírito, quero estar sensível a sua voz, pois só Tu podes dizer quem sou. Amém!”

Ev. Elias Codinhoto

* Ouça o resumo desta mensagem no final desta pagina, são apenas 10 min. Ou acesse: http://www.youtube.com/watch?v=T9d-ew9sVO4&feature=player_embedded